China corta taxas de juros após série de dados fracos em julho afetar perspectivas econômicas
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Por Kevin Yao e Ellen Zhang
PEQUIM (Reuters) - Uma série de dados chineses divulgados nesta terça-feira destacou a intensificação da pressão sobre a economia em várias frentes, levando Pequim a cortar as taxas de juros para sustentar a atividade, mas analistas dizem que mais suporte é necessário para revitalizar o crescimento.
Pouco antes da divulgação dos dados de julho, o banco central da China cortou inesperadamente um conjunto de taxas de juros importantes e seguiu com cortes em outras taxas horas depois, destacando a rápida perda da recuperação econômica pós-Covid que abalou os mercados financeiros globais.
Os dados desta terça-feira divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas, depois de uma série de indicadores fracos da semana passada, mostraram crescimento das vendas no varejo, produção industrial e investimento a um ritmo mais lento do que o esperado - indicando que as empresas e o consumo na segunda maior economia do mundo estavam com pouca potência.
Além disso, a China suspendeu a publicação de dados de desemprego entre jovens, que atingiu um recorde de 21,3% em junho.
"Todos os principais indicadores de atividade ficaram abaixo das expectativas em julho, com a maioria estagnada ou quase sem expansão mensal", disse Julian Evans-Pritchard, economista da Capital Economics.
"E com os problemas financeiros de incorporadoras como a Country Garden provavelmente pesando no mercado imobiliário no curto prazo, há um risco real de a economia cair em recessão, a menos que o suporte seja aumentado em breve."
A produção industrial cresceu 3,7% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior, desacelerando em relação ao ritmo de 4,4% visto em junho, mostraram os dados, e ficou abaixo das expectativas de um aumento de 4,4% em pesquisa da Reuters com analistas.
As vendas no varejo, uma medida de consumo, subiram 2,5%, ante um aumento de 3,1% em junho e abaixo das previsões dos analistas de crescimento de 4,5%, apesar da temporada de viagens de verão.
Foi o crescimento mais lento desde dezembro de 2022, mostrando o tamanho do desafio que as autoridades enfrentam ao tentar fazer do consumo o principal motor do crescimento econômico futuro.
Após os primeiros cortes nas taxas, os principais bancos estatais da China venderam dólares e compraram iuanes em uma tentativa de conter as rápidas quedas da moeda, disseram três pessoas com conhecimento direto do assunto. Os rendimentos dos títulos soberanos caíram para mínimos de três anos.
Outros dados divulgados nesta terça-feira mostraram que o investimento em ativos fixos cresceu 3,4% nos primeiros sete meses de 2023 em relação ao mesmo período do ano anterior, contra expectativas de alta de 3,8%. Houve aumento de 3,8% no período de janeiro a junho.
(Reportagem adicional de Liangping Gao e Albee Zhang)
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