Dólar fecha perto da estabilidade ante o real apesar do exterior
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou a quarta-feira muito próximo da estabilidade no Brasil, em um dia marcado pelo avanço da moeda no exterior após a divulgação de números decepcionantes da economia chinesa e de novos dados da economia norte-americana, que reforçaram a perspectiva de que o Federal Reserve pode não cortar juros já em março.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9304 reais na venda, em alta de 0,07%. Em janeiro, a moeda acumula elevação de 1,62%.
Na B3, às 17:26 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,13%, a 4,9415 reais.
A moeda norte-americana oscilou em margens bastante estreitas no Brasil, a despeito dos estímulos vindos do exterior.
O dia começou com as moedas de exportadores de commodities sendo pressionadas pelo noticiário vindo da China. A economia chinesa cresceu 5,2% em 2023, um pouco mais do que a meta oficial, mas a recuperação foi bem mais frágil do que muitos analistas e investidores esperavam, com o agravamento da crise imobiliária, riscos deflacionários e demanda fraca lançando uma sombra sobre as perspectivas para este ano.
Nos EUA, o Departamento do Comércio informou pela manhã que as vendas no varejo aumentaram 0,6% em dezembro, após elevação de 0,3% em novembro. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4%.
Já o Federal Reserve informou que a produção industrial aumentou 0,1% em dezembro, após alta de 0,2% em novembro. Economistas consultados pela Reuters previram que a produção das fábricas permaneceria inalterada.
Os dois dados -- acima do esperado – reforçaram o movimento mais recente de alta para os rendimentos dos títulos norte-americanos, com investidores reduzindo as apostas de que o Fed iniciará o ciclo de corte de juros já em março.
Isso deu força ao dólar ante várias divisas, incluindo o real, mas ainda assim as cotações no Brasil se mantiveram em margens controladas.
A cotação máxima, de 4,9542 reais (+0,56%), foi registrada no mercado à vista no início da sessão, às 9h02, quando os números chineses já estavam nas telas, mas os dados norte-americanos ainda não haviam sido divulgados.
No início da tarde, a moeda norte-americana já oscilava perto da estabilidade ante o real, marcando a mínima de 4,9228 reais (-0,08%) às 13h43.
“O dólar ontem deu uma corrigida (de alta) com base na declaração do dirigente do Fed (Christopher Waller), mas hoje (o mercado) aguarda porque há outras falas de autoridades a caminho e a divulgação do Livro Bege no fim da tarde”, comentou no meio da tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Para ele, o fato de haver uma indefinição sobre o início do ciclo de cortes de juros nos EUA deixa os investidores na expectativa por novidades que possam impactar, de fato, as cotações.
Às 16h, o Fed divulgou seu Livre Bege, com avaliações sobre a economia norte-americana. Nele, a instituição afirmou que a atividade econômica teve pouca ou nenhuma alteração de dezembro até o início de janeiro, enquanto as empresas relataram que as pressões sobre os preços foram mistas e quase todas citaram sinais de uma desaceleração do mercado de trabalho.
O documento, no entanto, pouco influenciou as cotações nos mercados globais de moedas, incluindo o Brasil.
Às 17:26 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,15%, a 103,460.
Pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de março.
0 comentário
Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã