Ipea prevê desaceleração da economia em 2009

Publicado em 22/12/2008 14:32 1162 exibições

Embora evite fazer projeções, o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Nonnenberg, avalia que o Brasil vai experimentar uma “desaceleração forte” no ano que vem. Segundo ele, o tamanho dessa desaceleração vai depender de como a economia mundial vai se comportar em 2009 - se vai retomar o crescimento já no segundo semestre ou se vai voltar a crescer só em 2010.

“É cedo para dizer o que vai acontecer”, disse o economista, lembrando que os governos dos países mais importantes do mundo estão usando “artilharia máxima” para debelar os impactos da crise financeira internacional. “Tudo isso demora um pouco para ter efeito. É cedo para saber se a retomada será no segundo semestre de 2009 ou só em 2010”, disse.

Para ele, no entanto, a economia brasileira vai crescer menos de 3% e não será fácil, já que há um considerável efeito de carregamento do crescimento deste ano. Na entrevista para apresentação da “Carta de Conjuntura do Ipea”, documento que analisa a evolução da economia ao longo do ano, Nonnenberg disse que a crise já afeta a atividade econômica brasileira, notadamente no comportamento negativo da produção industrial em outubro - sobretudo em segmentos como o setor automotivo -, na queda dos preços das exportações e importações e no fluxo negativo de capital financeiro.

Ele ressaltou que, até o terceiro trimestre, o PIB brasileiro vinha crescendo em ritmo “positivamente surpreendente”, o que faz com que a economia, mesmo com pequena desaceleração no último trimestre, possa fechar o ano com expansão próxima de 6%. O economista destacou que, não fosse a contribuição negativa do setor externo para o PIB, a expansão do País nos últimos quatro trimestres estaria na casa de 8%, que é parecida com a Índia. “Mas o resultado brilhante do PIB é um olhar no retrovisor. Os dados mais recentes indicam uma pisada no freio relativamente forte”, afirmou.

Nonnenberg ressaltou que, por enquanto, a crise não atingiu o emprego e não é possível dizer se ela vai ou quando vai reduzir os postos de trabalho. Um segmento que deve sofrer significativo impacto da crise é a agricultura, por conta do aperto de crédito e dos custos ainda elevados dos fertilizantes. Dados das compras de fertilizantes, segundo o Ipea, indicam um atraso no plantio agrícola.

Inflação

Nonnenberg afirmou que a inflação “claramente não é a preocupação principal” neste momento de grave crise internacional. Ele lembrou que não há indícios de que o IPCA ficará acima do teto da meta, que é 6,5%, embora tenha ressaltado que a inflação está estabilizada em um nível pouco acima de 6%, o que é uma situação diferente dos Estados Unidos, que tenta evitar uma deflação, e da Europa, em que a inflação está em queda. “É sempre bom lembrar que o Brasil tem situação diferente dos EUA e Europa”, afirmou.

Na avaliação de Nonnenberg, vários fatores tendem a puxar a inflação brasileira para baixo, como a desaceleração esperada na demanda e a queda nos preços de produtos importados.

BC aumenta controle de operações de crédito

O Banco Central aumentou o controle das operações de crédito realizadas no País. O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou esta semana o conjunto de instituições do sistema financeiro que terão que repassar as informações sobre todas as operações de crédito ao Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central. Foram incluídas instituições como bancos de câmbio e corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários. As operações realizadas por empresas não-financeiras, dentro de um grupo financeiro, também terão que ser informadas. Segundo o chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro do Banco Central, Cornélio Pimentel, o objetivo é captar todas as operações que tenham característica de crédito.

O Sistema de Informações de Crédito foi criado para melhorar a supervisão bancária e fornecer aos bancos e às demais instituições financeiras informações mais rápidas e seguras sobre a capacidade de endividamento dos seus clientes que autorizarem a consulta dos dados no SCR. Com isso, os bancos podem calcular o risco do crédito e balizar as taxas de juros. O CMN também determinou que as instituições financeiras cumpram todas as exigências do Código de Defesa do Consumidor. Por isso, as instituições financeiras são obrigadas a comunicar previamente ao tomador de crédito o registro dos dados da operação no SCR. Os bancos ainda serão obrigados a guardar por cinco anos a autorização concedida pelo cliente para que as instituições financeiras possam ter acesso a estes dados. “Não confundam SCR com Serasa. O Sistema reúne todas as informações de crédito de todos os devedores do Brasil e 95% são créditos que estão em dia. Então são informações positivas para quem vai tomar o crédito. São referências creditícias que a pessoa pode oferecer no momento que for tomar um novo crédito”, explicou Pimentel.

Fonte:
Tribuna do Norte

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