Presidente do Banco do Japão sinaliza elevação de juros caso crescimento e inflação estejam no rumo certo
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Por Leika Kihara e Satoshi Sugiyama
(Reuters) - O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, reafirmou sua decisão de elevar os juros no país caso a inflação se mantenha no caminho certo para atingir de forma sustentável a meta de 2%, sugerindo que a recente volatilidade do mercado não prejudicará seu plano de aperto monetário.
No entanto, Ueda alertou que os mercados permanecem nervosos e podem afetar as previsões de inflação do Banco do Japão, um sinal de que os movimentos do iene e dos preços das ações serão fundamentais para determinar o momento da próxima alta de juros.
Ueda disse que a volatilidade do mercado observada no início de agosto se deveu aos crescentes temores de uma recessão nos Estados Unidos, fomentado por dados econômicos do país, enquanto o aumento da taxa de juros do banco central japonês em julho levou a uma reversão acentuada das "quedas unilaterais do iene".
"Os mercados interno e externo permanecem instáveis, portanto, estaremos altamente atentos à evolução do mercado por enquanto", disse Ueda no Parlamento, onde foi convocado para explicar a decisão do Banco do Japão em julho de elevar os juros.
No entanto, ele disse que "não houve mudança na postura básica do Banco do Japão de ajustar o grau de afrouxamento monetário caso se convença de que a evolução econômica e dos preços está ocorrendo conforme previsto".
As declarações de Ueda sugerem que o banco central japonês pode levar mais tempo do que o inicialmente esperado para considerar seu próximo aumento de juros, mas manterá o curso de elevá-los gradualmente do atual nível.
"Os juros de curto prazo do Japão estão muito baixos. Se a economia estiver em boa forma, eles subirão para níveis considerados neutros", disse Ueda. Mas ele acrescentou que há "uma incerteza muito grande sobre para onde os juros acabarão subindo".
O Banco do Japão abandonou sua política de juros negativos em março e elevou sua taxa de curto prazo para 0,25% em julho, dando um passo histórico para se afastar de um programa de estímulo monetário que durou uma década.
Ao tornar a política mais rígida em julho, Ueda disse que o banco aumentará ainda mais os juros se a inflação continuar no caminho certo para atingir de forma duradoura sua meta de 2% nos próximos anos, conforme as projeções do conselho.
A última pesquisa da Reuters mostrou que a maioria dos economistas espera que o Banco do Japão aumente os juros novamente este ano, mas um número maior vê a chance de isso acontecer em dezembro, em vez de outubro.
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