Trump promete controlar Gaza e criar "Riviera do Oriente Médio"
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Por Steve Holland e Matt Spetalnick e Jeff Mason
WASHINGTON (Reuters) - O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos vão controlar a Faixa de Gaza, devastada pela guerra, e criar uma "Riviera do Oriente Médio" depois de reassentar os palestinos em outros lugares, destruindo décadas de política dos EUA sobre o conflito israelense-palestino e provocando a condenação regional.
A proposta chocante de Trump foi rapidamente condenada pela Arábia Saudita, um dos pesos pesados da região, que Trump espera que estabeleça laços com Israel.
Trump, em seu primeiro grande anúncio de política para o Oriente Médio, disse que imagina construir um resort onde as comunidades internacionais possam viver em harmonia. No ano passado, o genro e ex-assessor de Trump, Jared Kushner, descreveu Gaza como uma propriedade "valiosa" à beira-mar.
A proposta casual provocou uma série de reações diplomáticas no Oriente Médio e em todo o mundo. A China disse que se opõe à transferência forçada de palestinos e a Turquia chamou a medida de "inaceitável".
"A China sempre acreditou que os palestinos governando a Palestina é o princípio básico da governança pós-conflito", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Lin Jian, acrescentando que Pequim apoia uma solução de dois Estados na região.
Uma autoridade do grupo militante palestino Hamas, que governava a Faixa de Gaza antes de lutar contra Israel em uma guerra brutal na região, afirmou que a declaração de Trump sobre a tomada do enclave é "ridícula e absurda".
"Quaisquer ideias desse tipo são capazes de inflamar a região", disse Sami Abu Zuhri à Reuters, afirmando que o Hamas continua comprometido com o acordo de cessar-fogo com Israel e "garantindo o sucesso da negociação na segunda fase".
Não está claro se Trump levará adiante seu plano controverso ou se está simplesmente assumindo uma posição extrema como estratégia de barganha.
Trump não forneceu detalhes específicos sobre seu plano, revelado em uma entrevista coletiva conjunta na terça-feira com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"Os EUA assumirão o controle da Faixa de Gaza e faremos um bom trabalho com ela também... vamos desenvolvê-la, criar milhares e milhares de empregos, e será algo de que todo o Oriente Médio poderá se orgulhar", disse Trump aos repórteres.
DESLOCAMENTO PERMANENTE
O anúncio foi feito após a proposta de Trump na terça-feira para o reassentamento permanente dos mais de dois milhões de palestinos de Gaza para países vizinhos, chamando o enclave -- onde a primeira fase de um frágil acordo de cessar-fogo e libertação de reféns entre Israel e Hamas está em vigor -- de "local de demolição".
Os EUA assumirem uma participação direta em Gaza seria contrário à política de longa data de Washington e de grande parte da comunidade internacional, que defende que Gaza faça parte de um futuro Estado palestino que inclua a Cisjordânia ocupada.
A proposta de Trump levanta questões sobre se a Arábia Saudita, potência do Oriente Médio, estaria disposta a participar de um novo impulso intermediado pelos EUA para uma normalização histórica das relações com Israel, aliado dos EUA.
A Arábia Saudita, também um importante aliado dos EUA, rejeita qualquer tentativa de deslocar os palestinos de suas terras, informou o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita em um comunicado na quarta-feira.
A Arábia Saudita disse que não estabeleceria laços com Israel sem a criação de um Estado palestino, contradizendo a afirmação de Trump de que Riad não estava exigindo uma pátria palestina.
O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman afirmou a posição do reino de "maneira clara e explícita" que não permite nenhuma interpretação em nenhuma circunstância, segundo o comunicado.
Trump disse que planeja visitar Gaza, Israel e Arábia Saudita, mas não falou quando planeja ir.
Netanyahu não quis discutir a proposta, a não ser para elogiar Trump por tentar uma nova abordagem.
(Reportagem de Nidal Al-Mughrabi e de Colleen Howe em Pequim)
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