Brasil buscará negociações com os EUA enquanto tenta expandir acordos comerciais, diz autoridade
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BRASÍLIA, 10 de abril (Reuters) - O Brasil dará continuidade às negociações comerciais com os EUA, reafirmando seu apoio ao multilateralismo e buscando expandir sua rede de acordos comerciais, disse a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, nesta quinta-feira.
"Nossa abordagem (com os EUA) é negociar, negociar e negociar — é isso que temos feito", disse Prazeres em um evento organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
Ela enfatizou que o aumento das vendas para a União Europeia — com quem o bloco sul-americano do Mercosul espera ratificar um tão aguardado acordo comercial — pode ajudar a diversificar as exportações.
O Mercosul também está avançando nas negociações com a EFTA, a Associação Europeia de Livre Comércio formada pela Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, observou ela.
De acordo com Prazeres, a maior economia da América Latina pode se beneficiar das mudanças no fluxo comercial causadas pelas novas tarifas anunciadas no início deste mês pelo governo do presidente dos EUA,
Donald Trump, como ocorreu no passado, quando as exportações de soja brasileira para a China aumentaram durante o primeiro mandato de Trump.
No entanto, ela enfatizou que o Brasil não vê com bons olhos um cenário de oscilações tarifárias voláteis e unilaterais que prejudiquem a economia global, ressaltando que, para algumas commodities, o Brasil simplesmente não tem mercado que possa substituir o que a China compra.
"Há riscos significativos para a economia global, o comércio internacional e a governança comercial", alertou ela.
"O Brasil sempre apoiou o multilateralismo e o comércio baseado em regras e não quer ver a situação atual se deteriorar."
Sobre a China, principal parceira comercial do Brasil e grande compradora de soja, minério de ferro e petróleo bruto, Prazeres disse que a remoção de barreiras sanitárias, fitossanitárias e regulatórias poderia impulsionar significativamente as exportações brasileiras.
Ela também chamou o relacionamento bilateral de "duplo", observando que, embora a China seja uma grande compradora de produtos brasileiros, suas exportações também pressionam indústrias nacionais, como bens de consumo e automóveis.
O investimento chinês no setor automotivo brasileiro e na capacidade produtiva ajudou a aliviar algumas dessas tensões, disse Prazeres.
Reportagem de Marcela Ayres Edição de Marguerita Choy
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