Putin diz que ataques dos EUA ao Irã estão levando mundo a grande perigo
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Por Guy Faulconbridge e Dmitry Antonov
MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que os ataques "injustificados" dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã estão levando o mundo a um grande perigo e prometeu tentar ajudar o povo da República Islâmica, embora não tenha dado detalhes específicos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e Israel especularam publicamente sobre a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e sobre a mudança de regime, medidas que a Rússia teme que possam empurrar toda a região para o abismo de uma grande guerra.
Putin recebeu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, no Kremlin na segunda-feira, juntamente com seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, o assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, e Igor Kostyukov, chefe da agência de inteligência militar GRU da Rússia.
"A agressão absolutamente não provocada contra o Irã não tem base nem justificativa", disse Putin a Araqchi, acrescentando que queria falar sobre maneiras de acalmar a crise. "De nossa parte, estamos fazendo esforços para ajudar o povo iraniano."
Araqchi entregaria uma carta de Khamenei a Putin, buscando mais ajuda da Rússia, afirmou uma fonte sênior à Reuters. Não houve confirmação disso por parte de Moscou, embora Araqchi tenha transmitido os melhores votos do líder supremo e do presidente do Irã.
Mais tarde, em uma reunião com recrutas militares avançados, Putin observou a escalada do conflito no Oriente Médio e o envolvimento de potências de fora da região, embora não tenha mencionado o nome dos Estados Unidos.
"Potências extra-regionais também estão sendo atraídas para o conflito", disse Putin. "Tudo isso leva o mundo a uma linha muito perigosa."
O Irã não ficou impressionado com o apoio da Rússia até agora, disseram fontes iranianas à Reuters, e o país quer que Putin faça mais para apoiá-lo contra Israel e os Estados Unidos. As fontes não entraram em detalhes sobre a assistência que Teerã deseja.
Putin, cujo Exército está travando uma grande guerra de atrito na Ucrânia, demonstrou pouco apetite por um confronto com os EUA sobre o Irã, no momento em que Trump busca reparar os laços com Moscou.
MOSCOU E TEERÃ
Embora Moscou tenha comprado armas do Irã e assinado um acordo de parceria estratégica de 20 anos com Teerã no início deste ano, o acordo publicado não contém uma cláusula de defesa mútua.
A Rússia também afirmou que não quer que o Irã construa uma bomba nuclear, uma medida que Moscou teme que desencadeie uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.
As autoridades iranianas dizem que sentem que a Rússia não fez o suficiente para apoiá-las e que se sentem traídas pelas principais potências, como Rússia e China.
A Rússia interveio na guerra civil síria em 2015 para apoiar o aliado do Irã, Bashar al-Assad, mas quando seus inimigos se aproximaram de Damasco no final de 2024, ela se recusou a enviar tropas ou mais poder aéreo por considerar a situação muito perigosa, embora tenha concedido asilo a Assad.
Dentro da Rússia, houve pedidos para que a Rússia ajude seu parceiro e forneça ao Irã o mesmo apoio que Washington havia dado à Ucrânia, incluindo sistemas de defesa aérea, mísseis e inteligência por satélite.
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