Dólar tem leve queda no dia apesar de fluxo de saída e fecha semana em R$5,4831
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista encerrou a sexta-feira com leve baixa, após dados favoráveis de inflação nos EUA darem suporte à busca por divisas mais arriscadas, como o real, em movimento parcialmente compensado pela saída de moeda norte-americana do Brasil após a derrubada dos aumentos de IOF durante a semana.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,28%, aos R$5,4831. Na semana, a divisa acumulou queda de 0,79% e, no ano, tem recuo de 11,26%.
Às 17h32 na B3 o dólar para julho subia 0,11%, aos R$5,4890.
Pela manhã o dólar chegou a oscilar na faixa dos R$5,45, após dados sobre a inflação norte-americana reforçarem as apostas de corte de juros nos Estados Unidos.
O Departamento de Comércio informou que o índice PCE -- o indicador preferido de inflação do Federal Reserve -- teve alta de 0,1% em maio, ganho igual ao de abril e exatamente o que economistas consultados pela Reuters projetavam.
Em 12 meses -- taxa que é referência para a meta de inflação do Fed --, o PCE atingiu alta de 2,3%, acelerando em relação ao ganho revisado de 2,2% no mês anterior, mas em linha com a projeção em pesquisa da Reuters. O acumulado de 12 meses também ficou próximo da meta de 2% de inflação perseguida pelo Fed.
Em reação aos números, os investidores globais foram em busca de ativos mais arriscados, como ações e moedas de países emergentes, como o real. Às 9h52, já após o PCE, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,4597 (-0,70%), em meio à leitura de que juros mais baixos nos EUA e ainda elevados no Brasil favorecem a moeda brasileira.
No restante da sessão, porém, o dólar se reaproximou da estabilidade, chegando a apresentar leves ganhos em alguns momentos, com agentes operando com foco na reta final do trimestre. Às 11h26, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$5,5051 (+0,12%).
“Tivemos um volume de saída (de dólares) muito grande hoje, com muita gente aproveitando a derrubada do IOF para sair do país”, comentou durante a tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos. “Muita gente vinha segurando operações à espera do que iria acontecer com o imposto”, acrescentou.
Na noite de quarta-feira o Congresso aprovou proposta que derruba o decreto do governo Lula de elevação de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em diversas operações de câmbio.
Com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmando nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se tiver o aval da Advocacia-Geral da União (AGU), deve ingressar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso, investidores aproveitaram o IOF menor nesta sexta para acelerar remessas ao exterior.
Este movimento foi influenciado pelo fato de segunda-feira ser o último dia útil do mês e do trimestre -- momento em que o fluxo de recursos tende a ser de fato maior.
Em um indicativo de que a liquidez nesta sexta-feira esteve especialmente forte, até as 17h20 o dólar para julho -- atualmente o mais negociado no Brasil -- já havia movimentado quase 350 mil contratos na B3, sendo que em sessões normais o número fica mais próximo dos 200 mil.
Como a definição da Ptax de fim de mês e de trimestre ocorrerá na segunda-feira, a expectativa é de liquidez forte também na próxima sessão.
Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
No exterior, no fim da tarde o dólar tinha sinais mistos ante as demais divisas: ele caía ante o euro, mas subia ante o e a libra. Às 17h29 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,06%, a 97,311.
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