Dólar interrompe sequência de quedas e fecha em alta no Brasil de olho no exterior
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Após atingir na véspera a menor cotação desde setembro do ano passado, o dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, acompanhando por um lado o avanço da divisa dos EUA também no exterior e por outro o embate entre governo e Congresso sobre o IOF no Brasil.
O dólar à vista interrompeu uma sequência de três sessões em baixa e fechou a terça-feira com alta de 0,48%, aos R$5,4610, depois de ter atingido na segunda-feira o menor valor desde 19 de setembro. No ano, porém, a divisa acumula baixa de 11,62%.
Às 17h04, na B3 o dólar para agosto -- atualmente o mais líquido no Brasil -- subia 0,48%, aos R$5,5005.
Depois de oscilar no território negativo na abertura, o dólar ganhou força no Brasil com alguns agentes aproveitando os preços mais baixos para comprar moeda, em movimento amparado ainda pela cautela em torno da disputa entre governo e Congresso sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu ingressar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para defender o decreto do governo que elevou alíquotas do imposto, derrubado pelo Congresso Nacional.
Pela manhã, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em evento em São Paulo que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de recorrer ao Supremo é mais jurídica do que econômica ou política. Durigan disse que é normal da democracia o presidente defender suas prerrogativas constitucionais e afirmou que não faltará da parte dele, e da equipe econômica disposição para dialogar com o Congresso.
No mercado de câmbio, além do desconforto com a possibilidade de retorno das alíquotas mais altas, agentes avaliavam que o embate entre governo e Congresso eleva as incertezas.
O viés positivo para o dólar se intensificou no fim da manhã, após o Departamento do Trabalho dos EUA, em sua pesquisa Jolts, informar que as vagas de emprego em aberto -- uma medida da demanda por mão de obra -- subiram em 374.000, para 7,769 milhões, no último dia de maio. Economistas consultados pela Reuters previam 7,30 milhões de vagas.
Os números deram força à leitura de que o Federal Reserve pode não ter tanto espaço para cortar juros no curto prazo, o que impulsionou o dólar ante várias outras divisas e os rendimentos dos Treasuries.
Neste cenário, após registrar a cotação mínima de R$5,4204 (-0,27%) às 9h06, logo depois da abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,4712 (+0,67%) às 15h22.
Às 17h14, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,04%, a 96,717.
0 comentário
Ibovespa fecha em queda pressionado por ações sensíveis a juros
Dólar mostra estabilidade no Brasil após EUA rejeitarem acordo com Irã sobre guerra
Trump diz que imposto federal sobre gasolina será reduzido "até que seja apropriado"
Elon Musk, Cook, da Apple, e CEO da Boeing vão à China com Trump, diz autoridade
Ações europeias têm pouca variação enquanto mercados avaliam impasse entre EUA e Irã
Trump diz que cessar-fogo com Irã "respira por aparelhos" após rejeitar resposta de Teerã