Dólar sobe após retomada de vigência de decreto sobre IOF e dados fortes dos EUA
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Por Fernando Cardoso
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista subia ante o real nesta quinta-feira, conforme os investidores reagiam à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retomar a vigência da maior parte do decreto do governo sobre o IOF, com dados fortes dos Estados Unidos também no radar.
Às 9h58, o dólar à vista subia 0,38%, a R$5,5820 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,37%, a R$5,607 na venda.
O mercado nacional começava a sessão com a notícia de que Moraes concedeu liminar na quarta-feira que retoma a vigência da maior parte do decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que elevou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Relator do processo aberto pelo governo após o Congresso derrubar a elevação das alíquotas, Moraes determinou em despacho divulgado pelo STF que continue suspenso apenas o trecho que aumentou o IOF sobre o chamado risco sacado.
A decisão de Moraes veio depois que uma audiência de reconciliação promovida pelo STF na terça entre representantes do Executivo e do Legislativo terminou sem acordo, com os dois lados optando por aguardar o veredicto do ministro, o que gerou enorme incerteza no pregão anterior.
O retorno das cobranças maiores do IOF, que já enfrentavam resistência entre agentes do mercado, a partir de uma resolução judicial, e não negociada entre as partes, gerava aversão a ativos mais arriscados no Brasil, com investidores buscando dólares.
"Tem uma força vindo por trás (do cenário externo) que é o dólar reagindo à volta do IOF nas operações de câmbio. Isso acaba dando uma pressão para o dólar valorizar sobre o real", disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Ainda na cena doméstica, prevalece a incerteza em relação à ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O mercado aguarda mais detalhes sobre a resposta do governo do Brasil e monitora a perspectiva de negociações entre os dois países.
Na mais recente atualização sobre o tema, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo faça uma força-tarefa para encontrar os "pontos que estão pegando" na negociação para que o tema seja resolvido o mais rápido possível.
As incertezas sobre o comércio também trabalhavam contra a moeda brasileira.
No cenário externo, a força do dólar também ajudava a impulsionar a divisa dos EUA no Brasil, principalmente depois que dados desta quinta-feira reforçaram a percepção de resiliência da economia norte-americana.
Números mostraram que as vendas no varejo dos EUA cresceram bem mais do que o esperado em junho, com uma alta de 0,6% na base mensal, ante queda de 0,9% no mês anterior e expectativa de um ganho ligeiro de 0,1% em pesquisa da Reuters.
Outro relatório informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 221.000 na semana encerrada em 12 de julho, ante 228.000 pedidos na semana anterior e projeção de aumento para 235.000.
Os resultados fortes, de forma geral, passavam a percepção de que o Federal Reserve terá um espaço reduzido para cortar a taxa de juros neste ano, apesar da pressão de Trump por cortes imediatos, o que acaba impulsionando o dólar.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,39%, a 98,718.
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