Brasil pede aos EUA exclusão de alimentos e da Embraer da tarifa de 50%, diz fonte
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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro pediu aos Estados Unidos para excluir os setores de alimentos e a fabricante de aeronaves Embraer da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, confirmou à Reuters nesta terça-feira uma fonte brasileira envolvida diretamente nas negociações.
A informação foi publicada primeiro pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pela Reuters.
Este é o pedido principal das conversas recentes dos negociadores brasileiros com os norte-americanos, incluindo os telefonemas do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.
A assessoria do MDIC negou a informação e afirmou que o governo trabalha pela suspensão das tarifas para todos os setores. Nos bastidores, entretanto, o governo admite que há questões prioritárias.
Segundo a fonte ouvida pela Reuters, há uma cláusula de confidencialidade nas negociações e, além disso, o governo não pode passar a impressão de que estaria trocando alguns setores por outros, mas o pedido se justifica pela gravidade do impacto sobre algumas áreas determinadas.
A Embraer é hoje a maior preocupação do governo brasileiro, uma vez que a empresa tem dezenas de entregas pendentes para companhias aéreas norte-americanas e teria dificuldades de manter a operação atual com cancelamentos ou adiamentos de contratos.
Já na área de alimentos, o Brasil é o maior fornecedor de suco de laranja e café para os Estados Unidos, e um dos maiores de carne, além de outros alimentos, e todos teriam impactos significativos tanto para o Brasil como para o consumidor norte-americano.
No caso do suco de laranja, como mostrou a Reuters, produtores cogitam não colher parte das frutas, caso a taxação se confirme, porque o custo não se justificaria.
Há 20 dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% para todas as exportações brasileiras para os EUA, que deve entrar em vigor em 1º de agosto.
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