Laços comerciais entre Brasil e países latino-americanos podem ampliar competitividade da piscicultura
A importância de ampliar a relação comercial entre os países da América Latina foi tema da palestra do presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, durante a Seafood, o maior encontro focado na comercialização de pescado dessa região, que segue até o dia 23 de outubro, em São Paulo.
No painel “Novos tempos, novas rotas: os caminhos do pescado na América Latina”, promovido no dia 22, Medeiros destacou que a América Latina reúne hoje alguns dos maiores produtores de pescado do mundo, com destaque para o salmão e a tilápia, que lideram a produção na região. No entanto, ainda existem barreiras que dificultam a consolidação de um mercado mais integrado.
“O Brasil é o terceiro maior mercado comprador de salmão do Chile, mas ainda não consegue exportar filé de tilápia para lá. Precisamos construir parcerias comerciais sólidas com alguns países da América Latina, especialmente aqueles que ainda dependem de importações da China”, salientou.
O presidente lembrou que há cerca de 15 anos o Chile também enfrentou resistência para inserir o salmão no mercado brasileiro — e hoje o produto é amplamente consumido no país. “A história mostra que é possível. Este é apenas o começo de um diálogo que pode fortalecer o comércio latino-americano de pescados”, completou.
Tarifas e cenário político
Medeiros também abordou as barreiras tarifárias que afetam o setor, classificando-as como medidas de caráter político. “Fomos muito claros em identificar o caráter político das barreiras e passamos a agir estrategicamente. Mesmo com as dificuldades, a cadeia produtiva mostrou resiliência”, ressaltou.
Recuperação dos preços e perspectivas
O presidente da Peixe BR destacou ainda a rápida recuperação dos preços da tilápia no mercado interno. “Após um primeiro semestre desafiador, com queda nos preços pagos aos produtores e no valor do filé de tilápia no ponto de venda, já estamos na quinta semana consecutiva de recuperação. Nunca vimos uma retomada tão rápida — em apenas 37 dias os preços reagiram, e a tendência é de continuidade”, afirmou.
Para Medeiros, o momento atual é de otimismo e consolidação. “As empresas entenderam que a exportação é uma estratégia de médio e longo prazo, e o setor está demonstrando sua capacidade de adaptação e resiliência. Estamos vivendo um bom momento para o pescado brasileiro”, concluiu.
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