Paralisação do governo dos EUA terá efeitos temporários sobre a economia
![]()
Por Lucia Mutikani
WASHINGTON (Reuters) - Uma paralisação prolongada do governo dos Estados Unidos em meio a um impasse sobre o financiamento entre republicanos e democratas no Congresso pode prejudicar o crescimento econômico no quarto trimestre, mas grande parte da produção perdida será recuperada quando as operações normais forem retomadas.
Os economistas estimaram que a paralisação está reduzindo de 0,1 a 0,2 ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto ajustado à inflação por semana. O impacto da paralisação, agora em sua terceira semana, seria em grande parte sobre os gastos do consumidor e a perda de produtividade dos funcionários federais.
Cerca de 700.000 funcionários federais foram dispensados e quase o mesmo número está trabalhando sem remuneração, o que pode forçar as famílias a adiar os gastos.
Muitos devem perder seu primeiro pagamento integral na sexta-feira. A Casa Branca sugeriu que os funcionários federais não têm garantia de pagamento retroativo quando o governo reabrir, e o governo do presidente Donald Trump demitiu alguns funcionários em licença.
"Haverá um impacto sobre a economia", disse Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon. "Não vai empurrar a economia para uma recessão, mas quanto mais isso se arrastar, mais permanentes serão as perdas para os trabalhadores que podem ter tido que cortar despesas porque não foram pagos ou porque, essencialmente, enquanto esperam o pagamento retroativo, estão apenas sendo mais criteriosos com suas finanças."
O Congresso às vezes aprova o financiamento anual para alguns departamentos federais, como foi o caso antes da paralisação de 2018-2019, quando grandes seções do governo foram financiadas. Desta vez, nenhum dos departamentos foi financiado, com efeitos mais amplos além dos funcionários federais.
Embora o pessoal militar da ativa tenha sido pago na semana passada, houve relatos na mídia de que alguns receberam valores mais baixos. Vários Estados, incluindo Nova York e Texas, alertaram que os vales-alimentação, dos quais as famílias de baixa renda dependem para complementar seus orçamentos, não estarão disponíveis se a paralisação continuar em novembro. Na Pensilvânia, o governo estadual disse que os pagamentos de vale-alimentação serão encerrados a partir de 16 de outubro.
"Há os efeitos de curto prazo que já estão ocorrendo, e há os efeitos de longo prazo que são mais difíceis de calibrar e que dependerão especificamente de quando e se isso for resolvido", disse Brian Bethune, professor de economia do Boston College. "Mas à medida que isso se arrasta, esses efeitos de curto prazo definitivamente se acumulam."
Opiniões semelhantes foram compartilhadas pelo Escritório do Orçamento do Congresso, que é apartidário e cuja última avaliação mostrou que os efeitos negativos sobre a economia "serão temporários" e "aumentarão com uma paralisação mais longa". Durante a paralisação de 34 dias iniciada no final de dezembro de 2018, a mais longa já registrada, o crescimento do PIB quase estagnou no quarto trimestre, antes de acelerar no trimestre de janeiro a março.
(Reportagem adicional de Bo Erickson)
0 comentário
Dólar se reaproxima da estabilidade à espera de dados dos EUA
Serviços do Brasil têm queda inesperada em dezembro, mas crescem no ano pela 5ª vez seguida
Toffoli nega em nota já ter recebido "qualquer valor" de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
É hora de agir, dizem líderes da UE em meio a esforços para competir com EUA e China
Ações da China fecham em alta com otimismo em relação à IA
EUA veem Brasil como parceiro "muito promissor" em minerais críticos, diz secretário