Ibovespa renova máxima com aval externo e holofote em relações comerciais; Focus ajuda
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta segunda-feira, renovando máxima histórica e encostando nos 148 mil pontos, endossado pelo viés positivo no exterior e nova melhora nas projeções de inflação no Brasil, enquanto MBRF subia mais de 5% após acordo com fundo soberano da Arábia Saudita.
Por volta de 11h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,61%, a 147.060,12 pontos, tendo marcado 147.942,66 pontos na máxima até o momento. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somava R$3,68 bilhões.
Investidores também repercutiam encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no fim de semana, com o brasileiro afirmando que o norte-americano "garantiu" durante a reunião que Brasil e Estados Unidos chegarão a um acordo sobre o comércio.
Wall Street tinha uma sessão positiva, com o S&P 500 em alta de 0,97%, em meio a expectativas de um acordo comercial entre EUA e China.
No domingo, as principais autoridades econômicas chinesas e norte-americanas definiram a estrutura de um acordo comercial para Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, decidirem no final desta semana. "Acho que chegaremos a um acordo", disse Trump aos repórteres no avião presidencial Força Aérea Um.
A semana também é marcada por decisão de juros do Federal Reserve na quarta-feira, com as apostas sinalizando corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa à faixa de 3,75% a 4,00%.
De acordo com analistas do BB Investimentos, o desfecho da reunião de política monetária do banco central norte-americano é o "evento mais importante para balizar o apetite a risco dos mercados globalmente".
Do noticiário brasileiro, pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira mostrou nova queda nas previsões no mercado para o IPCA em 2025 e 2026, com a mediana das estimativas para este ano recuando para 4,56% e aproximando-se do teto da meta de inflação buscada pelo Banco Central.
DESTAQUES
- MBRF ON saltava 7,12%, após sua subsidiária integral BRF GmbH assinar contrato de investimento com a Halal Products Development Company (HPDC), uma subsidiária integral do fundo soberano da Arábia Saudita denominado PIF. A transação marca o primeiro passo para a realização de um IPO da BRF Arabia a partir de 2027. Até a última sexta-feira, os papéis acumulavam um declínio de quase 23% em outubro.
- USIMINAS PNA subia 6,68%, ampliando a recuperação após forte queda durante o pregão da sexta-feira, em meio à repercussão do balanço do terceiro trimestre. No pior momento do dia, a ação chegou a cair mais de 8%, a R$4,56, mas fechou a sessão com declínio de 0,6%, a R$4,94. Em teleconferência, executivos da siderúrgica afirmaram que a Usiminas avalia pagar dividendo este ano.
- MAGAZINE LUIZA ON <MGLU3.SA> valorizava-se 3,34%, em meio a oscilações brandas nas taxas dos contratos de DI, o que favorecia papéis de empresas sensíveis a juros. NATURA ON avançava 1,37%, LOCALIZA ON mostrava acréscimo de 2,92% e AZZAS 2154 ON tinha elevação de 1,57%, também entre as maiores altas. O índice de consumo da B3 apurava alta de 1,06%.
- RAÍZEN PN caía 4,12%, após dois dias de alta, sem novidades sobre planos envolvendo o endividamento da joint venture entre Cosan e Shell. COSAN ON recuava 1,33%.
- MINERVA ON recuava 0,99%, no segundo pregão seguido de queda, após uma sequência de oito pregões de alta, período em que acumulou valorização de quase 10%. Na última quinta-feira, o fôlego do papel teve suporte em decisão dos EUA de quadruplicar a cota tarifária da carne bovina da Argentina, país onde a Minerva, maior exportadora de carne bovina in natura e seus derivados da América do Sul, tem seis plantas.
- BANCO DO BRASIL ON valorizava-se 0,83%, em dia positivo entre os bancos do Ibovespa, com ITAÚ UNIBANCO PN em alta de 0,92%, BRADESCO PN com ganho de 1,11% e SANTANDER BRASIL UNIT com acréscimo de 0,52%. Bradesco e Santander divulgam na quarta-feira seus resultados do terceiro trimestre. BTG PACTUAL UNIT subia 0,71%, tendo no radar decisão de entrar em adquirência.
- PETROBRAS PN cedia 0,3%, em sessão de variações modestas dos preços do petróleo no exterior e com dados de produção e vendas da petroleira no terceiro trimestre também no radar. A estatal disse que a sua produção de petróleo no Brasil cresceu 18,4%, permitindo um recorde de exportações da commodity pela estatal. Analistas da XP cortaram o preço-alvo das ações de R$47 para R$37, com manutenção de compra.
- VALE ON avançava 0,23%, tendo como pano de fundo a alta dos futuros do minério de ferro na China, em meio à percepção no mercado de diminuição das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, as duas maiores economias do mundo, que superou as preocupações com a demanda no principal consumidor. O contrato mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 1,94%.
(Por Paula Arend Laier, edição Michael Susin)
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