Trump lança Conselho da Paz que alguns temem que rivalize com a ONU
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Por Steve Holland
DAVOS, Suíça, 22 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quinta-feira seu Conselho da Paz, inicialmente focado em consolidar o cessar-fogo de Gaza, mas que, segundo ele, pode assumir um papel mais amplo com chance de preocupar outras potências globais, embora tenha dito que trabalharia com as Nações Unidas.
"Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, acrescentando que a ONU tem um grande potencial que não foi totalmente utilizado.
Trump, que presidirá o conselho, convidou dezenas de outros líderes mundiais a participarem, dizendo que deseja que o conselho trate de desafios que vão além da trégua vacilante em Gaza, o que despertou dúvidas de que isso poderia abalar o papel da ONU como a principal plataforma para a diplomacia global e a resolução de conflitos.
Outras grandes potências e aliados ocidentais tradicionais dos EUA hesitaram em entrar para o conselho, o qual Trump diz que os membros permanentes devem ajudar a financiar com um pagamento de US$1 bilhão cada, respondendo com cautela ou recusando o convite.
Representantes de países apresentados como membros fundadores estavam presentes na sala enquanto Trump falava. Mas a Reuters não conseguiu identificar imediatamente nenhum representante de governos de outras grandes potências globais ou de Israel ou da Autoridade Palestina.
A cerimônia de assinatura foi realizada em Davos, na Suíça, onde acontece anualmente o Fórum Econômico Mundial, que reúne líderes políticos e empresariais.
PAPEL GLOBAL
Além dos EUA, nenhum outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU -- as cinco nações com maior poder de decisão sobre a lei internacional e a diplomacia desde o fim da Segunda Guerra Mundial -- ainda se comprometeu a participar.
A Rússia disse no final da quarta-feira que estava estudando a proposta depois que Trump afirmou que ela se juntaria. A França se recusou. O Reino Unido disse na quinta-feira que não estava aderindo no momento. A China ainda não declarou se vai aderir.
A criação do conselho foi endossada por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas como parte do plano de paz de Trump para Gaza, e o porta-voz da ONU Rolando Gomez disse na quinta-feira que o envolvimento da ONU com o conselho seria apenas nesse contexto.
No entanto, cerca de 35 países se comprometeram a participar, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Belarus.
Poucos dos países que se inscreveram no conselho são democracias, embora Israel e Hungria, cujos líderes são vistos como aliados próximos de Trump e apoiadores de sua abordagem de política e diplomacia, tenham dito que se juntarão.
"Há um enorme potencial com as Nações Unidas, e acho que a combinação do Conselho da Paz com o tipo de pessoas que temos aqui ... poderia ser algo muito, muito único para o mundo", disse Trump.
(Reportagem de Steve Holland em Davos; reportagem adicional de Rami Ayyub em Jerusalém e Emma Farge em Genebra)
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