Taxas caem antes de decisão do Copom com fluxo estrangeiro para o Brasil
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 28 Jan (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em baixa pela sexta sessão consecutiva, em movimento novamente influenciado pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil e já após o Federal Reserve anunciar a manutenção dos juros nos EUA.
Agora, os agentes aguardam pelo anúncio do Banco Central do Brasil sobre a taxa básica Selic, após as 18h30.
No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,785%, em baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 12,866% da véspera. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,325%, com recuo de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,369%.
No acumulado das últimas seis sessões, as taxas para janeiro de 2028 e janeiro de 2035 recuaram 41 e 48 pontos-base, respectivamente.
Como nas sessões anteriores, o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil deu força ao Ibovespa, que superou os 185 mil pontos pela primeira vez, favorecendo a venda de taxas nos DIs e a queda do dólar ante o real.
O recuo das taxas futuras no Brasil ocorreu pela manhã e durante a tarde, antes mesmo da decisão do Fed sobre juros e a despeito de os rendimentos dos Treasuries estarem em alta.
Às 16h o Fed anunciou a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado, e destacou a inflação ainda elevada e a estabilização do mercado de trabalho norte-americano. Na prática, a instituição passou poucas indicações sobre quando os juros voltarão a cair.
Tanto o diretor Christopher Waller, candidato a substituir o chair do Fed, Jerome Powell, quando seu mandato terminar, em maio, quanto o diretor Stephen Miran, que está de licença de seu trabalho como consultor econômico na Casa Branca, divergiram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual já nesta quarta-feira.
“A justificativa para parar de cortar juros foi a avaliação de que o comitê vê sinais de estabilidade na taxa de desemprego. Os dois votos dissidentes (Miran e Waller) eram esperados”, comentou a analista Lais Costa, da Empiricus Research.
Para Nicolas Gass, head de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o Fed deve cortar um total de 75 pontos-base da taxa de juros este ano, mas apenas a partir do segundo semestre.
“Acredito que esse primeiro corte vai sair de fato no segundo semestre deste ano, quando a gente já vai ter outra gestão de banco central americano, com eventualmente uma pessoa que vai ter... um discurso um pouco mais dovish, eventualmente focando um pouco mais no corte desses juros”, disse.
As taxas futuras no Brasil reagiram de forma tímida ao comunicado do Fed, com os investidores mantendo posições antes da decisão sobre juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no início da noite.
As apostas majoritárias dos agentes são de manutenção da Selic em 15% ao ano, mas todos estarão atentos ao comunicado da decisão, em busca de pistas sobre a decisão de março.
Na B3, as opções de Copom precificavam na segunda-feira -- dado mais recente -- 36,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em março, 34,50% de chance de redução de 50 pontos-base e 22,75% de possibilidade de manutenção.
Às 16h44, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4 pontos-base, a 4,259%.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quarta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 13,53 13,582 -0,052
JAN/28 12,785 12,866 -0,081
JAN/29 12,785 12,868 -0,083
JAN/30 12,955 13,021 -0,066
JAN/31 13,095 13,149 -0,054
JAN/35 13,325 13,369 -0,044
(Edição de Igor Sodré)
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