É hora de agir, dizem líderes da UE em meio a esforços para competir com EUA e China
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Por Julia Payne e Philip Blenkinsop
ALDEN BIESEN, BÉLGICA, 12 Fev (Reuters) - Os líderes da União Europeia afirmaram nesta quinta-feira que é urgente encontrar formas de reduzir os custos de energia e melhorar o funcionamento do mercado interno do bloco para que as empresas europeias possam ser competitivas e sobreviver à rivalidade econômica agressiva dos Estados Unidos e da China.
Embora sejam esperadas poucas decisões concretas do retiro em um castelo belga, o encontro dará pistas sobre se os 27 Estados-membros da UE podem superar os interesses próprios e chegar a um acordo sobre um plano de ação conjunto.
“Compartilhamos um senso de urgência de que nossa Europa precisa agir”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz. Os dois — que discordam sobre muitas das possíveis soluções — chegaram juntos para a reunião da UE.
Muitos dos líderes compartilharam o mesmo senso de urgência e de frustração com a falta de progresso, em grande parte causada por eles mesmos, na unificação das economias do bloco.
“Há tanta conversa e tão pouca ação, e esta é uma oportunidade para, pelo menos, reverter essa tendência”, afirmou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson. O primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, foi ainda mais direto: “Apenas palavras, conferências e nenhuma ação”.
As discussões abrangerão temas como a forma de aprofundar o mercado único da UE, avançar com uma união dos mercados financeiros da UE para permitir ao bloco investir em grande escala e reduzir os elevados custos de energia da Europa. Esses temas irão testar a disponibilidade dos Estados-membros para comprometerem os seus interesses individuais e agirem de acordo com a retórica a favor do crescimento.
CUSTOS DA ENERGIA
“Temos que ter um mercado energético unificado, essa é a única solução”, disse Babis, ecoado por muitos outros líderes. As indústrias na Europa enfrentam preços de energia que são mais do que o dobro dos praticados nos EUA e na China, mostram dados da UE.
“A principal questão para a indústria europeia neste momento são os custos da energia”, afirmou o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, um dia depois de líderes empresariais terem instado a UE a agir nesse sentido.
“Não somos competitivos e corremos o risco de perder a indústria petroquímica, a indústria siderúrgica, os metais e, claro, esta é a base de toda a prosperidade.”
Embora todos os países da UE desejem um bloco mais competitivo, eles discordam sobre como chegar lá, e isso já acontece há anos.
Macron renovou seu pedido na terça-feira para que a UE embarque em mais empréstimos comuns para investir em grande escala e desafiar a hegemonia do dólar. A França também está promovendo uma estratégia “Feito na Europa” que estabeleceria requisitos mínimos para o conteúdo europeu em bens comprados com dinheiro público.
A Alemanha discorda de ambas as ideias e afirma que a chave é aumentar a produtividade, em vez de criar novas dívidas. Também salienta a necessidade de acordos comerciais, como com o Mercosul, que a França rejeita.
“Estamos discutindo há muito tempo e acho que é hora de tomar decisões, porque... o tempo está se esgotando”, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.
(Reportagem adicional de Sudip Kar-Gupta, Anna Ringstrom, Ingrid Melander, Bart Meijer, Inti Landauro, Alex Chituc, Jan Strupczewski, Kate Abnett e Giuseppe Fonte)
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