Taxas dos DIs disparam após IPCA-15 acima do esperado, com serviços pressionados
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) seguem com altas firmes nesta sexta-feira, superiores a 10 pontos-base em vários vértices da curva a termo, após a inflação pelo IPCA-15 em fevereiro ficar bem acima do projetado pelo mercado, com os preços de serviços pressionados.
Às 10h07, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,625%, em alta de 14 pontos-base ante 12,483% do ajuste da véspera. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,34%, com elevação de 5 pontos-base ante 13,287%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, acelerando ante os 0,20% de janeiro e bem acima da projeção mediana captada em pesquisa da Reuters com economistas, de 0,57%.
Nos 12 meses até fevereiro, a taxa avançou 4,10%, acima da projeção de 3,82%.
A abertura do índice também foi desfavorável, com serviços avançando de 0,15% em janeiro para 1,49% em fevereiro, conforme cálculos do banco Bmg. A taxa de serviços subjacentes passou de 0,53% para 0,66% no período, enquanto a de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,74% para 0,66%.
"O problema foi o item passagens aéreas, que vinha surpreendendo para baixo e desta vez surpreendeu para cima", comentou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. "Nós esperávamos queda de 7% em passagens aéreas, mas veio alta de 11,6%."
Os preços de passagens e do grupo educação -- que teve alta de 5,20% -- estiveram entre os principais responsáveis pelo descompasso entre as previsões do mercado e o resultado efetivo do IPCA-15.
A média dos núcleos medidos pelo Banco Central, conforme cálculos do Bmg, foi de 0,42% para 0,65%.
"O IPCA-15 de fevereiro surpreendeu significativamente para cima, impulsionado principalmente pela alta inesperada em passagens aéreas e no seguro voluntário de veículos, o que pressionou a abertura de serviços", disse Mariana Rodrigues, economista da SulAmerica Investimentos, em comentário escrito.
A divulgação do IPCA-15, ocorrida na abertura do mercado de renda fixa, disparou ajustes imediatos na curva de DIs, em especial entre os contratos de curto prazo, com os agentes reagindo negativamente ao resultado.
A taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a máxima até o momento de 12,660% às 9h03, em alta de 18 pontos-base ante o ajuste da véspera, com investidores reduzindo um pouco as apostas de que o Banco Central em março cortará em 50 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 15%.
"Mas o IPCA-15, na nossa visão, não muda o plano de voo do BC não -- ele só dá uma assustada. Nosso cenário segue com corte de 50 pontos-base da Selic em março", pontuou Serrano.
No exterior, este início de dia é de queda dos rendimentos dos Treasuries. O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 3,983%.
0 comentário
Taxas dos DIs oscilam perto da estabilidade com liquidez reduzida
Taxas dos DIs ficam estáveis em dia com baixa liquidez
Taxas dos DIs têm queda firme em sessão de baixa liquidez
Taxas dos DIs fecham em alta após medida dos EUA sobre vistos gerar ruído
Taxas dos DIs fecham em alta com IBC-Br acima do esperado
Taxas dos DIs sobem sob influência do exterior após sete sessões de baixas