Ibovespa reage e fecha em alta com Hapvida em destaque
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, revertendo as perdas registradas em boa parte da sessão e ultrapassando 181 mil pontos no melhor momento, com Hapvida entre os destaques positivos, disparando após sinalização de tendências mais positivas para o primeiro trimestre do ano.
Em meio a uma série de resultados corporativos, investidores da bolsa paulista também repercutiram decisão do Banco Central de cortar a Selic a 14,75% ao ano na véspera, bem como continuaram acompanhando desdobramentos envolvendo conflito no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,35%, a 180.270,62 pontos, após marcar 176.295,71 na mínima do dia. Na máxima, chegou a 181.250,84 pontos. O volume financeiro somou R$38 bilhões.
O barril sob o contrato Brent superou US$119 brevemente nesta quinta-feira, após o Irã atacar instalações de energia no Oriente Médio, mas desacelerou o movimento e terminou a US$108,65, em alta de 1,18%, o que corroborou a melhora do sentimento de investidores no pregão brasileiro.
Wall Street também reagiu e o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, fechou com acréscimo de 0,27%, distante da mínima da sessão.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
Também nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixa o cargo nesta quinta-feira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o comando da pasta será assumido por Dario Durigan, atual secretário-executivo do ministério.
De acordo com Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, há um ambiente de incerteza global, que acaba abrindo espaço para correções na bolsa paulista, principalmente após fortes valorizações desde o começo do ano.
DESTAQUES
- HAPVIDA ON disparou 14,98%, revertento o tombo de quase 15% na abertura, quando a ação bateu R$7, mínima intradia histórica, refletindo a reação à queda de quase 65% no lucro líquido ajustado do quarto trimestre de 2025, entre outros números negativos do balanço. De acordo com analistas do Citi, contudo, a companhia adotou uma postura mais enfática em relação à racionalização de ativos/estrutura e apontou sinais de melhora operacional no primeiro trimestre em teleconferência sobre resultados. Os analistas, porém, ainda veem a Hapvida nos "estágios iniciais de um processo de 'turnaround' complexo — e certamente não existem 'soluções da noite para o dia'".
- ENEVA ON avançou 3,9%, ampliando os ganhos da véspera, quando conquistou contratos equivalentes a 5,06 gigawatts (GW) de capacidade no leilão realizado pelo governo, recontratando usinas já existentes e viabilizando a construção de dois novos "hubs" de usinas e terminais de gás, com investimentos totais estimados em R$18,2 bilhões. Na quarta-feira, a ação disparou 15%. O CEO da companhia também destacou que o leilão de capacidade desta semana não esgotou as oportunidades de crescimento da Eneva, mas sim abriu caminho para uma "nova onda de expansão".
- MINERVA ON desabou 10,7%, com executivos da maior exportadora de carne bovina da América do Sul afirmando que o primeiro trimestre do ano está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte. Analistas do UBS BB destacaram que a perspectiva para os preços do gado no Brasil permanece volátil, e riscos podem surgir de como a dinâmica de margens evoluirá para os frigoríficos no país. Na véspera, a Minerva reportou Ebitda de R$1,17 bilhão no quarto trimestre, alta de 24,1%.
- VIVARA ON fechou em alta de 1,42%, revertendo as perdas registradas mais cedo na sessão, quando chegou a desabar quase 7%. O balanço da companhia mostrou queda de 40,7% no lucro líquido no quarto trimestre, com piora no resultado financeiro, aumento de despesas operacionais e queda de margens. A rede de joalherias também estimou a abertura de 55 a 65 lojas das marcas Vivara e Life em 2026. Em teleconferência com analistas, executivos afirmaram que empresa está focando em engenharia de produto e eficiência fabril para evitar aumento de preços.
- PETRORECONCAVO ON recuou 2,26%, mesmo com a alta do petróleo no exterior. A companhia divulgou na noite da véspera lucro líquido de R$50,7 milhões no quarto trimestre, enquanto o Ebitda somou R$295 milhões. No setor, PRIO ON perdeu o fôlego e fechou com declínio de 0,32%, tendo também como pano de fundo o anúncio de que abriu o primeiro poço produtor do campo de Wahoo, na Bacia de Campos. Ainda, BRAVA ENERGIA ON caiu 4,33%.
- PETROBRAS PN caiu 0,47%, revertendo a alta registrada na maior parte da sessão. Em ofício ao governo e à reguladora ANP com o assunto "riscos ao abastecimento nacional", o sindicato que representa Vibra, Raízen e Ipiranga (Sindicom) pede que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de combustíveis, após a estatal ter cancelado as operações nesta semana. De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a diretoria da ANP decidiu determinar à Petrobras que oferte imediatamente os volumes de combustíveis referentes aos leilões desta semana que foram cancelados.
- VALE ON cedeu 0,65%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China, com uma diminuição das pressões sobre a oferta depois que a compradora estatal chinesa relaxou algumas restrições ao minério de ferro Jimblebar. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 0,55%, para 807,5 iuans (US$117,04) a tonelada.
- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,71%, com o setor como um todo melhorando após perdas mais fortes pela manhã. BRADESCO PN avançou 0,05%, BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 0,43% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 1,15%.
- GRUPO MATEUS ON, que não está no Ibovespa, desabou 14,43%. A companhia divulgou um lucro líquido atribuído aos controladores de R$324,3 milhões no quarto trimestre de 2025, crescimento de 2,2% ano a ano.
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