Trump vai tentar minimizar preocupações com economia em meio à alta da gasolina

Publicado em 16/04/2026 11:15 e atualizado em 16/04/2026 12:07

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Por Jarrett Renshaw e Jacob Bogage e Steve Holland

LAS VEGAS, 16 Abr (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentará minimizar as preocupações com a economia e com as perspectivas políticas em declínio do Partido Republicano durante uma campanha nos Estados de Nevada e Arizona nesta semana, enquanto a guerra com o Irã eleva os preços da gasolina.

Trump fará uma parada nesta quinta-feira em Las Vegas para divulgar seu projeto de lei sobre impostos e imigração, que inclui promessas de campanha feitas sob medida para cortejar norte-americanos que trabalham por hora, no setor de hospitalidade.

Mas a alta dos preços em todo o país -- da gasolina aos alimentos, da moradia ao seguro -- abalou a economia dos EUA e, com isso, atingiu a influência de Trump para levar apoio a seus pares conservadores nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Cinco estrategistas republicanos disseram à Reuters que temem que a Casa Branca tenha perdido o controle do debate sobre a acessibilidade econômica, neutralizando o vento político da lei tributária e a economia resiliente, que superou grande parte da guerra comercial e das intervenções militares anteriores de Trump.

"O custo de vida vai superar qualquer coisa... em relação a qualquer pequena mudança nas declarações de impostos", disse David Damore, professor de ciências políticas da Universidade de Nevada, em Las Vegas.

Alguns dos assessores políticos de Trump têm uma visão mais otimista, prevendo que o presidente logo fechará um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Para eles, a ansiedade econômica arrefecerá nos meses que antecedem as eleições de meio de mandato.

O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que Trump sempre foi claro sobre o impacto econômico de curto prazo da guerra com o Irã e que os benefícios fiscais que ele ajudou a viabilizar "mostram que o governo não perdeu o foco em cumprir sua agenda de acessibilidade econômica no país".

No entanto, pode levar semanas para que os produtores globais de petróleo reiniciem as atividades depois que as hostilidades cessarem em torno da hidrovia, e preços mais altos de combustíveis significam inflação persistente em todos os tipos de bens de consumo e serviços.

Isso apresenta riscos acentuados para os republicanos, que enfrentam um cenário para reeleição cada vez mais hostil na Câmara e no Senado.

MAPA COMPLICADO DE MEIO DE MANDATO

Os democratas são os grandes favoritos para tirar a maioria republicana na Câmara, enquanto as principais disputas para o Senado na Carolina do Norte, na Geórgia, em Ohio e até mesmo no profundamente conservador Nebraska estão se inclinando para os democratas, de acordo com o Cook Political Report com Amy Walter. O índice de aprovação de Trump em uma pesquisa Reuters/Ipsos do final de março caiu para 36%, marcando um ponto baixo em seu segundo mandato.

Nevada e Arizona também têm disputas competitivas no Senado e na Câmara. Na sexta-feira, Trump deve participar de um evento organizado pelo grupo conservador Turning Point USA em Phoenix.

Os parlamentares republicanos esperavam que as cláusulas da One Big Beautiful Bill Act -- a agenda de US$4,1 trilhões de Trump e dos republicanos promulgada no ano passado, que inclui a isenção de impostos sobre gorjetas ou salários de horas extras -- repercutissem entre os eleitores que buscam alívio econômico.

"Acho que isso foi eliminado", disse um dos estrategistas republicanos, que está prestando consultoria para as disputas no Congresso. Os estrategistas falaram sob anonimato para discutir assuntos delicados.

O desafio para os republicanos foi agravado nas últimas semanas pelo foco de Trump no conflito no Irã, bem como por sua disputa pública com o papa Leão 14 e pelas críticas sobre sua publicação nas mídias sociais de uma imagem que o retrata com imagens religiosas semelhantes a Jesus Cristo.

A Casa Branca está enviando o conselheiro sênior James Blair para trabalhar nas campanhas de meio de mandato, disse Trump na semana passada, em um sinal de preocupação crescente com as perspectivas do partido.

GIRO PELA COSTA OESTE

Trump será o anfitrião de uma mesa redonda nesta quinta-feira, com foco na eliminação dos impostos federais sobre as gorjetas, uma política voltada para os trabalhadores do setor de serviços, em uma cidade onde os empregos na área de hospitalidade dominam a economia.

Os apoiadores dizem que isso aumentará o salário dos trabalhadores de restaurantes, hotéis e cassinos que dependem muito de gratificações.

A cláusula "no tax on tips" (sem impostos sobre gorjetas) da lei tributária de Trump para 2025 permite que os trabalhadores qualificados deduzam até US$25.000 em renda de gorjetas dos impostos federais, embora os tributos sobre a folha de pagamento ainda se apliquem e o benefício seja eliminado gradualmente para quem ganha mais.

Cerca de 4 milhões de norte-americanos trabalham com gorjetas, com analistas estimando benefícios médios de aproximadamente US$1.400 por ano para aqueles que se qualificam.

Mais de 53 milhões de contribuintes solicitaram pelo menos uma das reduções de impostos assinadas por Trump nesta temporada de declarações, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta-feira. A restituição média de impostos ultrapassou US$3.400, afirmou.

Os preços da gasolina continuam sendo uma vulnerabilidade. Trump ofereceu mensagens confusas sobre quanto tempo durarão os custos mais altos dos combustíveis, às vezes sugerindo que os norte-americanos poderão ter de suportar uma dor prolongada devido às interrupções no fornecimento global. Em outras ocasiões, disse que os preços cairão drasticamente quando a guerra terminar.

O governo tem poucas opções para reduzir os preços da energia, além de um esforço diplomático complexo ligado ao Estreito de Ormuz, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões dentro e fora da Casa Branca.

As autoridades liberaram petróleo da reserva estratégica, ajustaram as regras de transporte e aliviaram as sanções contra o petróleo russo e iraniano. Mas os preços continuam elevados, com referências globais acima de US$90 por barril.

"Tudo o que resta são opções ruins, e pedimos à Casa Branca que não as busque", disse um executivo do setor de petróleo envolvido nas discussões.

Trump procurou moderar as expectativas retratando as perdas de meio de mandato como habituais para o partido no poder, ao mesmo tempo em que insiste que seu governo pode reverter essa tendência.

"Mesmo quando se tem um grande presidente, eles tendem a perder as eleições de meio de mandato", disse ele ao programa "Mornings with Maria", da Fox Business Network, na quarta-feira. "Portanto, vamos tentar reverter essa situação."

"Temos que explicar aos eleitores, o que é muito importante, o excelente trabalho que fizemos, porque não há razão para que os republicanos estejam perdendo."

(Reportagem de Jarrett Renshaw, Jacob Bogage e Steve Holland; reportagem adicional de Humeyra Pamuk)

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Fonte:
Reuters

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