FMI diz que flexibilidade na política monetária do Brasil é justificável diante de incertezas

Publicado em 01/06/2026 09:39 e atualizado em 01/06/2026 10:28

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SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que manter a flexibilidade nas próximas etapas da política monetária no Brasil é justificável dada a elevada incerteza e as novas pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços globais da energia, calculando que a economia crescerá 2,5% no médio prazo.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira após visita de equipe da instituição ao país, o FMI disse que a economia do Brasil tem permanecido resiliente diante de múltiplos choques e que o crescimento vai se recuperar em 2026, após desacelerar em 2025.

"O Brasil está relativamente protegido dos aumentos globais dos preços do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio, devido à sua condição de exportador líquido de petróleo e à alta participação de fontes de energia renováveis na geração de eletricidade", disse o FMI.

O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre diante do impulso da agropecuária e da indústria e com o consumo ganhando força, mas a expectativa é de desaceleração nos próximos trimestres.

O Banco Central iniciou o afrouxamento da política monetária, já tendo reduzido a taxa básica de juros Selic duas vezes neste ano em 0,25 ponto percentual cada, a 14,50%, mas vem pregando cautela diante dos impactos da guerra no Oriente Médio, que já afetaram a inflação nacional.

"O Banco Central cortou apropriadamente a taxa de juros em março e abril, em linha com o regime de metas de inflação do Brasil", disse o FMI.

O Fundo destacou, contudo, que a inflação recuou até o início de 2026, mas recentemente voltou a subir, refletindo os altos preços globais de energia. "Esperamos que a inflação aumente no curto prazo antes de convergir para a meta de 3% até meados de 2028".

O FMI ainda alertou que os esforços das autoridades para fortalecer a situação fiscal devem continuar.

"Economizar as receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo, ao mesmo tempo em que se oferece apoio direcionado e temporário, mobilizar receitas e enfrentar a rigidez de gastos, fortaleceria a sustentabilidade da dívida pública, reduziria os custos de financiamento e criaria espaço para investimentos prioritários", completou.

Em abril, o Fundo elevou a perspectiva de crescimento do Brasil a 1,9%, mas reduziu a conta para 2027 a 2,0%.

(Por Camila Moreira; edição de Fabrício de Castro e Paula Laier)

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Fonte:
Reuters

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