Rejeição do Hezbollah obscurece cessar-fogo no Líbano e perspectivas de acabar com guerra no Irã
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Por Jana Choukeir e Laila Bassam
DUBAI/BEIRUTE, 4 Jun (Reuters) - O Hezbollah, pró-Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano nesta quinta-feira e Israel disse que não retiraria as tropas do país, minando os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para interromper os combates no país e forjar a paz com Teerã.
O Irã fez de um cessar-fogo no Líbano uma condição para qualquer acordo de paz com Washington, e sugeriu nos últimos dias que poderia intervir diretamente em apoio ao Hezbollah se Israel mantiver ou aumentar os ataques no país.
O presidente libanês, Joseph Aoun, disse que o cessar-fogo entraria em vigor dentro de 24 horas após a aprovação de todas as partes envolvidas. No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a declaração de Washington, insistindo que "a resistência continuará".
Não houve resposta imediata de Israel, do Líbano ou dos Estados Unidos às falas de Qassem. O Hezbollah não faz parte do acordo mediado pelos EUA entre Israel e o governo libanês na quarta-feira, mas seria obrigado a interromper os ataques.
Israel manteve os ataques no sul do Líbano nesta quinta-feira e o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que as forças israelenses não se retirariam da área ou interromperiam as operações no país, que foi invadido em março, paralelamente à guerra no Irã.
O comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã -- que fundou o Hezbollah em 1982 -- disse que "a exigência mínima da resistência" era a retirada de Israel para as posições que ocupava antes do início da guerra.
As hostilidades entre o Hezbollah e Israel reacenderam em 2 de março, quando o grupo abriu fogo em apoio a Teerã, ao ser atacada pelos EUA e por Israel. A guerra continuou apesar de vários cessar-fogos declarados por Washington desde abril.
EXPLOSÃO NO GOLFO
O acordo ocorre após um surto de violência em toda a região. As forças iranianas trocaram ataques no Golfo na quarta-feira, em um dos combates mais intensos desde que outro cessar-fogo interrompeu o bombardeio em larga escala dos EUA e Israel contra o Irã no início de abril.
As forças iranianas atacaram o Kuweit, danificando o aeroporto local e ferindo dezenas de pessoas, segundo as autoridades, enquanto os militares dos EUA realizaram ataques perto do Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde normalmente passa um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito, permanece praticamente fechado mais de três meses depois que os EUA e Israel lançaram seus ataques contra o Irã.
Os preços do petróleo perderam parte dos ganhos do dia anterior nesta quinta-feira, na esperança de que o cessar-fogo no Líbano possa ajudar Washington e o Irã a encontrar uma saída diplomática da guerra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que está sob pressão para baixar os preços dos combustíveis, sugeriu que poderia haver progresso nas negociações com o Irã já neste fim de semana.
"Se acontecer, pode acontecer no fim de semana", disse Trump aos repórteres no Salão Oval da Casa Branca na quarta-feira, sem detalhar o que ele esperava que acontecesse dentro desse prazo.
Trump disse que as partes estavam trabalhando para separar a questão da reabertura do estreito do conflito no Líbano.
IRÃ NEGA TER ATACADO AEROPORTO DO KUWEIT
Os ataques de quarta-feira no Kuweit danificaram as instalações do aeroporto e as missões diplomáticas, matando uma pessoa e ferindo mais de 60 outras, disseram as autoridades do Kuweit e a mídia estatal.
A elite dos Guardas Revolucionários do Irã disse que não disparou contra o aeroporto do Kuweit e atribuiu a destruição aos mísseis interceptadores dos EUA que não atingiram seus alvos, segundo a mídia estatal iraniana. Os militares dos EUA disseram que os drones iranianos atacaram o aeroporto deliberadamente.
A mídia iraniana informou que os Guardas Revolucionários também atacaram a sede da Quinta Frota dos EUA no Barein e uma base aérea dos EUA. O Comando Central dos EUA negou que suas bases tenham sido atingidas e disse que os mísseis balísticos iranianos não conseguiram atingir seus alvos na região.
O CENTCOM disse que realizou uma nova rodada de "ataques defensivos" no sul do Irã, tendo como alvo locais de lançamento de mísseis e barcos iranianos que tentavam colocar minas, e realizou ataques na Ilha Qeshm, perto do estreito, após tentativas de ataques iranianos.
(Reportagem dos escritórios da Reuters; texto de Ros Russell)
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