Durigan defende discussão sobre possíveis ajustes no cálculo da inflação

Publicado em 15/06/2026 10:20 e atualizado em 15/06/2026 10:56

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Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 15 Jun (Reuters) - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a uma discussão sobre possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na composição dos índices de preços.

Em podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo vigente no país dá peso para componentes que perderam relevância, enquanto há uma representação menor de itens que ganharam importância nos últimos anos.

"O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas", afirmou.

A entrevista foi gravada na sexta-feira e divulgada nesta segunda-feira.

O ministro ainda disse ver com bons olhos o debate sobre aprimoramentos no boletim Focus do Banco Central para que a pesquisa ganhe mais transparência.

Na entrevista, ele afirmou que não mexeria na meta de inflação, hoje em 3%, apesar de avaliar que o mecanismo de alvo contínuo adotado pelo atual governo ainda não foi digerido pela sociedade e por estudiosos.

Ao abordar o nível elevado dos juros no país, Durigan apontou a volatilidade cambial e o baixo nível de poupança no país como fatores que impactam negativamente a política monetária.

"A questão da poupança é um elemento importante, a volatilidade no mercado de câmbio brasileiro é outro mecanismo que a gente ouve muito, ainda que não se diga muito isso, tem um prêmio de risco que o Brasil tem que pagar para garantir alguma estabilidade", disse.

O ministro reconheceu também que a política fiscal tem impacto na política monetária, argumentando ser importante conter o avanço em despesas obrigatórias para abrir espaço para investimentos.

Ele voltou a afirmar que o governo insistirá nas negociações para que o Congresso Nacional não aprove pautas-bomba, de elevado impacto fiscal, que poderiam impactar inflação, carga tributária e nível dos juros.

Caso as medidas sejam aprovadas, segundo o ministro, o governo caminhará para fazer vetos e poderá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A equipe econômica do governo estimou na semana passada que proposições em tramitação no Congresso somam impacto fiscal estimado em R$111 bilhões por ano, incluindo medidas como uma ampla renegociação de dívidas rurais, elevação do teto do Simples Nacional e aumento de pisos salariais de categorias profissionais.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

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Fonte:
Reuters

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