PF aponta Jaques Wagner, líder do governo Lula, como beneficiário de R$8 milhões para atuar em favor do Master

Publicado em 18/06/2026 12:25 e atualizado em 18/06/2026 17:30

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Por Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

BRASÍLIA, 18 Jun (Reuters) - Um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo nesta quinta-feira de operação da Polícia Federal após investigação apontá-lo como o beneficiário de vantagens econômicas indevidas de ao menos R$8,35 milhões para atuar em favor dos interesses do Banco Master.

"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", descreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na decisão que embasou a operação.

O líder do governo no Senado foi alvo de ordens de busca e apreensão em diferentes endereços, cumpridas pela PF no âmbito de uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Master. Durante as diligências, foram apreendidos US$49 mil e ao menos 13 relógios em endereço vinculado a Wagner, segundo uma fonte da PF a par do caso.

A nova fase da operação representa um revés para a estratégia de Lula de buscar desgastar o principal adversário nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Master. Flávio foi flagrado nas investigações pedindo um apoio milionário a Vorcaro para a realização de um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, o presidente do PL e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira, foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF em fase da Compliance Zero no mês passado, acusado de receber propina de ao menos R$ 300 mil por mês.

Em sua conta no X, Flávio Bolsonaro publicou uma imagem com a reportagem sobre a operação envolvendo Wagner e disse: "Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder", acrescentando "CPMI do Banco Master já!".

Wagner é pré-candidato à reeleição ao Senado na Bahia, um dos principais colégios eleitorais para Lula em seu projeto de reeleição. Na primeira gestão Lula, ele foi ministro do Trabalho e da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política, deixando o posto para concorrer e se eleger governador baiano por duas vezes.

Depois, sob a gestão da também petista Dilma Rousseff, ele foi ministro da Defesa, chefe da Casa Civil e por último chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, até o afastamento por impeachment da então presidente em 2016.

BENEFÍCIOS

Entre as suspeitas de recebimento indevido de recursos, segundo a PF, Wagner e familiares dele teriam sido beneficiários da compra de um apartamento avaliado em R$2,45 milhões em um bairro nobre em Salvador, de transferências da ordem de R$3,5 milhões para uma empresa familiar, e outras vantagens como uso de aeronave e pagamento de ingressos para shows no exterior. O operador do esquema seria o empresário baiano Augusto Lima, próximo do senador e também alvo da operação desta quinta.

Em troca, segundo a PF, há indícios de atuação do parlamentar de temas de interesse do Banco Master, como a discussão em favor do aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$250 mil para R$1 milhão -- a medida ficou batizada como "Emenda Master", tendo sido apresentada por Ciro Nogueira (PI), mas não foi adiante.

Wagner também, conforme a investigação, teria atuado para tentar favorecer a operação de venda do Master para o Banco de Brasília (BRB) e ainda para elevar a margem de crédito consignado a trabalhadores celetistas, aposentados e pensionistas -- medida também de interesse do grupo de Vorcaro.

As investigações apontaram tratativas por mensagens de texto e outras formas de comunicação direta entre Wagner e Augusto Lima. Em um diálogo, ele chegou a indicar a unidade a ser adquirida e o valor.

Procurada, a assessoria de Jaques Wagner não respondeu a pedido de comentário.

O Palácio do Planalto não respondeu de imediato se Wagner permanecerá no cargo de líder do governo após as revelações da nova fase da Compliance.

O presidente do PT, Edinho Silva, disse que Wagner é "depositário de toda a nossa confiança". "Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, declarou.

Em nota, a defesa de Augusto Lima disse que as diligências da PF desta quinta eram desnecessárias porque o cliente "está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração".

"De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos", afirmou. "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública".

A nova fase da Compliance Zero, segundo nota da PF, tem por objetivo apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.

A PF cumpriu no total 18 mandados de busca e apreensão nos Estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.

(Edição de Eduardo Simões e Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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