Tesouro eleva a até 53% fatia esperada de títulos ligados à Selic na dívida pública em 2026

Publicado em 26/08/2026 15:45 e atualizado em 26/08/2026 18:13

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Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 26 Ago (Reuters) - O Tesouro Nacional anunciou nesta quarta-feira que passará a mirar uma fatia de 49% a 53% de títulos atrelados à Selic no estoque da dívida pública federal ao fim de 2026, acima dos 46% a 50% indicados no início do ano, refletindo uma demanda maior por esses papéis, mais procurados por investidores em momentos de incerteza e volatilidade na economia.

O ajuste no Plano Anual de Financiamento (PAF) incluiu também uma redução da participação prevista para os títulos atrelados à inflação ao final deste ano, passando de 23% a 27% para a faixa entre 21% e 25%. Para os papéis prefixados, o patamar caiu para 20% a 24%, contra 21% a 25% antes.

Os percentuais ficaram em 3% a 7% para os títulos atrelados ao câmbio, mesmo nível previsto anteriormente.

Em comunicado, o Tesouro informou que o aumento da participação de títulos atrelados à Selic “reflete a combinação de um ambiente de maior volatilidade e de taxas de juros elevadas, contribuindo para uma maior preferência dos investidores por instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros”.

O órgão ressaltou que a persistência da volatilidade no cenário local e internacional, incluindo as incertezas sobre tensões geopolíticas, tem gerado um ambiente menos favorável à emissão de títulos de prazo mais longo e com taxas prefixadas.

“A revisão busca preservar a exequibilidade da estratégia de financiamento do Tesouro Nacional, reforçando a transparência dos parâmetros de referência e contribuindo para o regular funcionamento do mercado de títulos públicos”, informou o documento.

Em entrevista à imprensa, o subsecretário de Dívida Pública do Tesouro, Francisco Segundo, ponderou que o órgão vem observando uma "normalização" nas emissões de títulos no período recente, com um arrefecimento na demanda pelos papéis atrelados à Selic.

Em julho, a fatia de títulos atrelados à Selic no estoque da dívida ficou em 51,1%, acima dos 49,3% observados em junho e já superando o limite previsto anteriormente para o ano. Dados preliminares de agosto mostram que esses papéis representaram 57,3% das emissões feitas no mês, abaixo dos 63,1% de julho.

Apesar do ajuste na composição prevista para o ano, o Tesouro manteve a previsão de que o estoque da dívida pública federal fechará 2026 entre R$9,7 trilhões e R$10,3 trilhões.

Também foram mantidas as metas para o percentual de títulos a vencer em 12 meses, entre 18% e 22%, e para o prazo médio da dívida pública federal, de 3,7 anos a 4,1 anos.

DADOS DE JULHO

No mês de julho, a dívida pública federal do Brasil subiu 0,22% em relação ao mês anterior, a R$9,289 trilhões, segundo o Tesouro.

No período, a dívida pública mobiliária interna teve alta de 0,31%, a R$8,949 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa caiu 2,20% e atingiu R$340,06 bilhões.

A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma apropriação de juros de R$89,95 bilhões, que mais do que compensou um resgate líquido de títulos no valor de R$61,91 bilhões.

O Tesouro destacou que foi observada no mês de julho uma elevação na curva de juros futuros do Brasil refletindo mudanças em expectativas sobre política monetária em um contexto de cenário externo incerto.

Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma redução no mês passado, indo de 12,68% ao ano em junho para 12,45% ao ano.

O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna teve queda, passando de 14,20% ao ano em junho para 14,10% no mês passado.

No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$1,371 trilhão, suficiente para cobrir 7,81 meses de vencimentos de títulos.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,01 anos em junho para 4,05 anos em julho.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

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Fonte:
Reuters

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