Cenário de incerteza demanda movimentos suaves e previsíveis na política monetária, diz David, do BC
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Por Bernardo Caram
23 Set (Reuters) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira que, em momentos de incerteza como o que a economia vive hoje, a política monetária deve atuar com previsibilidade e adotar movimentos suaves e cautelosos, minimizando solavancos.
Em evento do banco J.Safra, David destacou que o BC está promovendo um ciclo de "calibração", e não de flexibilização monetária, o que classificou como um "ajuste fino", acrescentando que os juros seguirão em patamar contracionista ao fim desse processo.
“A prescrição para quando você tem um ambiente desses é fazer movimentos suaves e previsíveis. É como se estivesse dirigindo numa estrada com neve e neblina, você tem que diminuir a velocidade, manter movimentos bastante cirúrgicos”, afirmou, citando apresentação feita em maio pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti.
“A prescrição é sempre fazer uma política monetária de forma mais suave, cautelosa e bastante atenta, minimizando solavancos”, acrescentou.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou na semana passada a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o cenário de incerteza demanda cautela.
Na apresentação desta quarta, a primeira após o fim do período de silêncio dos diretores da autarquia após a reunião, David disse que a política monetária tem surtido efeito e apontou sinais de arrefecimento da inflação, inclusive em itens mais cíclicos, que tendem a responder mais diretamente aos juros.
O diretor acrescentou que também parece haver uma desaceleração no ritmo de crescimento dos salários de trabalhadores, ainda que em níveis acima da inflação e da produtividade do país.
Ele ressaltou que o BC não trabalha com um alvo para o crescimento da atividade, e sim uma meta de inflação, mas ponderou que é preciso levar o Produto Interno Bruto para patamar próximo ao seu potencial para que não haja pressão inflacionária.
David afirmou que o fenômeno El Niño e a guerra no Oriente Médio aumentaram a incerteza e demandam uma política monetária cuidadosa e cautelosa.
Em relação ao conflito militar, ele afirmou que a cotação do petróleo parece estar se consolidando em patamar mais elevado, sendo esperado um movimento mais lento de recuo dos preços se houver uma solução da guerra.
O diretor disse ser difícil neste momento saber se o choque de oferta deixará resquícios na inflação. Por isso, segundo ele, o BC mantém a "guarda alta" na condução dos juros.
"O que as melhores práticas de política monetária dizem é: alguma tolerância nos efeitos diretos de primeira ordem e nenhuma tolerância com os efeitos de segunda ordem. O objetivo do BC é não permitir que uma perturbação de inflação por um choque de oferta se transforme em inflação perene", afirmou.
(Por Bernardo Caram; edição de Isabel Versiani e Camila Moreira)
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