Dólar tem sessão volátil e fecha estável com noticiário político e exterior no radar

Publicado em 28/10/2026 17:22

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 28 Out (Reuters) - Em sessão de volatilidade, o dólar alternou altas e baixas em diferentes momentos até encerrar a quarta-feira próximo da estabilidade ante o real, com investidores ponderando o noticiário eleitoral e o cenário externo, em dia de decisão do Federal Reserve sobre juros.

O dólar à vista fechou com variação negativa de 0,04%, a R$5,3466. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 2,59%.

Às 17h03, o dólar futuro para novembro cedia 0,20% na B3, aos R$5,3460.

Após os movimentos fortes da segunda e da terça-feira, em meio aos ajustes de posição pós-eleição no Brasil, o dólar iniciou a sessão desta quarta-feira próximo da estabilidade, com os investidores à espera de novos gatilhos para as cotações.

Perto das 9h45 o dólar perdeu força ante o real, alinhando-se ao enfraquecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

No entanto, no fim da manhã o dólar voltou a ganhar força ante o real e outras divisas de emergentes, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries antes do principal evento econômico do dia -- a decisão sobre juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília).

No Brasil, com a agenda de indicadores esvaziada, as atenções também seguiram voltadas para a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami.

Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula.

Além dos receios com o futuro da política fiscal no novo governo Lula, alguns agentes citaram preocupações de que a fuga de Flávio possa intensificar os atritos entre Brasil e EUA, com eventuais reflexos no câmbio.

“Houve esse estresse todo eleitoral, com o dólar a R$5,60 (na segunda-feira), mas 48 horas depois já estava na casa dos R$5,30”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.

“Naturalmente esses 30 centavos que sobraram em cima do preço, na comparação com a semana passada, nós colocamos na conta do eleitoral e do fiscal”, acrescentou. Na sexta-feira antes do segundo turno, a moeda norte-americana havia encerrado abaixo dos R$5,00, em meio à expectativa de que Flávio vencesse Lula no segundo turno -- o que não se confirmou.

No pico desta quarta-feira, às 13h36, o dólar à vista atingiu R$5,4005 (+0,97%).

No meio da tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA.

Já após a decisão, o dólar voltou a perder força e se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes -- alta ante o peso chileno e o peso colombiano, mas queda ante o peso mexicano e o rand sul-africano.

Em relação às moedas fortes, às 17h11 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,24%, a 102,110.

(Edição de Isabel Versiani)

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