A volta da TPC

Publicado em 16/03/2010 07:11 404 exibições

Ela está de volta. A velha TPC, Tensão Pré-Copom, voltou a atacar os nervos do presidente Lula. Depois de deixar o petista em paz nos últimos tempos, a tensão que antecede as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central está fervendo nos gabinetes brasilienses.

Para aliviar sua dor de cabeça, Lula chamou o presidente do BC, Henrique Meirelles, para uma conversa. Dependesse apenas dele, essa tensão se dissiparia o mais rápido possível, sem nenhuma sequela. Ou seja, sem aumento na taxa básica de juros da economia, a Selic.

Só que dentro do Banco Central de Meirelles há discursos para justificar qualquer tipo de decisão. Primeiro, é dado como certo que nesse ano virá uma nova onda de aumento na taxa de juros, hoje em 8,75%. A dúvida, e as pressões, é sobre o momento em que ela começará. E se será apenas uma marolinha ou uma onda forte. Tsunami, nem pensar.

Uma corrente do BC defende que seja feito um aumento desde já, na reunião do Copom dessa semana, de 0,25 ponto percentual. Antecipando o movimento, acredita essa corrente, a dose pode ser suave e brecar um aumento da inflação.

Outro ponto favorável nessa antecipação da alta é que Henrique Meirelles deixaria mais fácil a vida de seu sucessor, se ele realmente sair, como tudo indica que irá acontecer. Alexandre Tombini, o nome dado como certo para substituir Meirelles, já entraria sem ter de se preocupar com as pressões políticas, com o serviço (aumento dos juros) em andamento.

Mais um ponto considerado positivo, se é que dá para falar em algo positivo em se tratando de aumento de juros: começando agora, o processo de alta poderia ser interrompido ainda no primeiro semestre, não atingindo o início de fato da campanha eleitoral.

Outra corrente dentro do BC avalia que é possível esperar um pouco mais, talvez a reunião do Copom de abril, para então decidir quando iniciar o processo de alta dos juros. Esse grupo avalia que a subida nos índices de inflação nos primeiros meses do ano é pontual, provocada muito mais por efeitos sazonais, que vão desaparecer ou serem atenuados a partir de agora.

Para esse grupo, além da justificativa técnica, dá para encaixar também o viés político. Ou seja, não provocar notícia ruim para duas personagens antes de abril. A ministra Dilma Rousseff e o próprio presidente do BC, Henrique Meirelles. Os dois vão deixar o governo --Dilma, com certeza; Meirelles, muito possivelmente-- e gostariam de evitar uma repercussão negativa nesse período.

Se fosse em outros tempos, diria que o primeiro grupo ganharia a parada e os juros subiriam já. Como estamos em ano eleitoral, mesmo o BC garantindo que não decide sob pressão política, tudo pode acontecer. Nada, por exemplo. A conferir.

Fonte:
Folha Online

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