Debate na Folha: Serra eleva tom contra governo e PT (assista no + Destaques)

Publicado em 18/08/2010 14:10 e atualizado em 18/08/2010 18:09 426 exibições
No primeiro debate presidencial da internet brasileira, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) elevaram o tom das críticas contra José Serra (PSDB). O tucano, atrás da ex-ministra da Casa Civil nas pesquisas de intenção de voto, concentrou as críticas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no petismo. O encontro histórico se deu nesta quarta-feira (18) no Tuca, teatro da PUC-SP.

O confronto direto entre os candidatos teve clima de enfrentamento e embates "quentes" principalmente entre Dilma e Serra. Os dois trocaram os ataques mais fortes logo nos primeiros blocos, quando puderam questionar um ao outro. Terceira colocada nas sondagens, Marina também criticou a petista, mas foi mais dura com o tucano. O presidenciável do PSDB manteve críticas à rival do PT, embora tenha centrado seus ataques mais duros ao partido dela e a ações da gestão instalada no Palácio do Planalto desde 2002.

Questionado por Dilma já no início sobre uma suposta tentativa do Democratas, partido aliado dos tucanos, de barrar na Justiça o programa estudantil Prouni, Serra atacou. "Isso foi há muitos anos e não tem nada a ver com minha posição. Se tivesse, você estaria contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Fundef. O que o PT já aprontou em matéria de quanto pior melhor não é brincadeira. Em matéria de quanto pior melhor, o PT é campeão."

Ao responder sobre vazamento de dados do Enem, Dilma também usou tom agressivo. "Acho um verdadeiro absurdo um candidato a presidente da República vir aqui e dizer que o Enem está sendo desmoralizado porque uma gráfica investigada pela Polícia Federal vazou os dados", disse. Em sua réplica, Serra acusou o governo federal pelo incidente e aproveitou para se referir à quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e a atribuiu à campanha da petista.

"Houve sim vazamento [de dados do Enem]. O responsável é o Ministério da Educação. E tem mais. Vocês quebraram o sigilo de um vice-presidente do PSDB. Vocês chegaram até ameaçar a processar e desistiram porque viram que era verdade", afirmou o tucano. Dilma rebateu: “Caluniam e não provam. Não se pode caluniar. A democracia é algo que conquistamos com muito esforço, todos nós."

Marina começou o debate criticando a área educacional do governo de São Paulo, comandado por Serra até março deste ano. "Mesmo como 20 anos de governo do PSDB, temos graves problemas na área da educação de São Paulo. Estados ricos como São Paulo e Rio de Janeiro não têm nenhuma justificativa para não terem uma posição vanguarda em relação a isso", afirmou ela, que extrapolou o tempo para muitas respostas.

Ao ver o confronto entre os rivais, a candidata do PV, que semanas atrás pareceu acuada no debate da TV Bandeirantes, ironizou. "Começa aqui um clima de quase pugilato." Em seguida, mirou Serra e sua "favela virtual" exibida no horário eleitoral gratuito. Dilma sorriu, a platéia riu e o tucano cruzou os braços pela primeira vez enquanto ouvia.

FHC em pauta

Ao contrário do debate da semana retrasada, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não se limitou a críticas da candidata governista. Dilma, Serra e Marina fizeram referência ao período, ampliando uma discussão que antes se limitava ao legado e às falhas do governo Lula e às trajetórias dos principais presidenciáveis. Após os comentários do tucano sobre supostos equívocos do PT, Dilma fez mea culpa.

"Nós reconhecemos que votamos errado. Mas levamos [o legado positivo de FHC] à frente e utilizamos de forma adequada", disse. Serra afirmou que os petistas são "ingratos" por não terem reconhecido antes os benefícios gerados pela gestão do PSDB no Palácio do Planalto. Marina pediu que Lula e FHC se unam no ano que vem para fazerem uma "mobilização verdadeira, sem consensos ocos" pela reforma política.

Ao ouvir a petista acusar estagnação econômica no governo FHC, Serra rebateu sem se estender sobre o legado do ex-presidente tucano. “Você fica tão ligada para trás, seu espelho retrovisor é tão grande. É maior que o parabrisas. Você não olha para a frente”, disse. Em seguida, Marina alfinetou o tucano. “Ainda que se negue o debate sobre o passado, o passado é um fantasma”, afirmou.

Pouco depois, questionada por um internauta, Dilma afirmou que “a estabilidade do real foi uma conquista do governo Fernando Henrique”. Em parte. “Herdamos um país com alta inflação. A consolidação é uma conquista nossa. Tivemos todo o trabalho de estabilizar o país”, disse.

A petista concluiu as referências a FHC atacando o apagão de 2001. “Acredito que deve ser aberto o capital da Infraero para permitir mais investimentos. Nós podemos acender a luz hoje. Antes havia racionamento de oito meses. Tinha de se usar sistemas especiais para garantir a segurança dos aeroportos”, disse.

Fonte:
Folha/UOL

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