Não há crise de falta de alimentos, reforça FAO

Publicado em 09/09/2010 08:13
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A FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, divulgou um comunicado insistindo que não há crise em decorrência de falta de alimentos à vista. A entidade considera, no entanto, que os mercados de commodities agrícolas pelo mundo continuarão voláteis pelos próximos anos.

Assim como a FAO, a União Europeia também reiterou que, apesar da fraca produção na Rússia, Ucrânia e Canadá, não há problemas de disponibilidade de alimentos no mundo. Além disso, os preços também continuam abaixo do pico de 2007-2008, quando milhares de pessoas em vários países se revoltaram contra o custo elevado e a falta de alimentos.

"Os princípios de base do mercado são sadios e muito diferentes da situação de 2007-2008", disse Hafez Ghanem, vice-diretor da FAO em declarações distribuídas pela entidade. "A situação global da oferta e da demanda não é para inquietar. Apesar do déficit de produção de trigo na Rússia, a colheita de cereais globalmente foi a terceira maior de todos os tempos e os estoques são elevados. Nessas condições, não tememos uma crise alimentar."

A agência da ONU alerta, porém, que a situação pode mudar se houver um novo choque de oferta provocado por "condições meteorológicas nefastas". Na avaliação da FAO, os governos precisam agir para garantir maior estabilidade nos mercados, por exemplo, voltando a examinar a criação de estoques de emergência.

A União Europeia endossa a avaliação da FAO e insiste que a oferta de alimentos atual é muito diferente da de 2007. Os europeus avaliam que as colheitas de 2008 e 2009 foram boas e os estoques são elevados globalmente.

O bloco europeu exemplifica a situação atual ao lembrar que a produção mundial de cereais na safra 2010/11 é projetada em 1,754 bilhão de toneladas, volume 35 milhões de toneladas inferior ao consumo. E os estoques são de 347 milhões de toneladas.

A produção de trigo é projetada em 646 milhões de toneladas, inferior em 20 milhões de toneladas ao consumo. Mas os estoques continuam elevados, com 175 milhões de toneladas. No caso do milho, a safra é estimada em 832 milhões de toneladas, no mesmo nível do consumo, e com estoques estáveis em 139 milhões de toneladas.

O preço do trigo aumentou 60% para se estabilizar entre 220 e 230 por tonelada. Mas a UE nota que as cotações de cereais continuam abaixo do valor da ultima crise alimentar.
Fonte: Valor Econômico

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