Dólar fecha a R$ 1,72; taxa volta a subir após dez dias de queda

Publicado em 15/09/2010 16:42
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O mercado de câmbio doméstico interrompeu uma sequência de dez dias de baixa, não vista há mais de um ano, para registrar um forte repique nos preços da moeda americana. Analistas citaram as medidas do governo japonês como a notícia que provocou a "reviravolta" da taxa e fez uma parte dos agentes financeiros, que mantinham fortes apostas na baixa da moeda, reverem suas posições.

Dessa forma, o dólar comercial foi trocado por R$ 1,727, em alta de 1,11%, nas últimas operações desta quarta-feira. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,730 e R$ 1,710. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar foi cotado a R$ 1,840 para a venda e a R$ 1,670 para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tem alta de 0,34%, aos 67.924 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,21 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 0,57%.

Uma das notícias mais importantes do dia, que chamou a atenção dos agentes financeiros logo pela manhã, foi a intervenção das autoridades japonesas no mercado de câmbio local, após um hiato de seis anos. A moeda japonesa atingiu o seu maior valor (quase 83 ienes) frente ao dólar em 15 anos, o que disparou o sinal vermelho do ministério das Finanças local.

Segundo o ministro Yoshihiko Noda, "o Japão não pode tolerar os efeitos da apreciação do iene em sua economia". Ele sinalizou que pode tomar medidas acionais para conter a valorização do iene.

No Brasil, o ministro Guido Mantega (Fazenda) deu declarações no mesmo sentido, ao afirmar que o governo está atento a movimentação de desvalorização das moedas asiáticas "e vai trabalhar para impedir a valorização" do real.

"Você teve uma notícia muito forte do Japão, num momento em que o preço [da moeda americana] já estava bastante 'esticado'. Na verdade, esse 'pull-back' [repique] de hoje já era aguardado pelo mercado", comenta André Nunes, presidente do grupo Fitta (especializado no mercado de câmbio).

FLUXO CAMBIAL

Estatísticas divulgadas hoje pelo Banco Central mostraram uma forte entrada de capital financeiro no país somente nestes últimos dias. Segundo analistas, parte desses recursos do exterior foi trazido por investidores que devem participar da oferta pública de ações da Petrobras, marcada para o final deste mês.

Tradicionalmente, lançamentos de ações brasileiras atraem um ingresso expressivo de capital estrangeiro. Em algumas operações desse tipo, a participação dos estrangeiros (ou não-residentes) no volume financeiro total superou a casa dos 70%.

Segundo o BC, houve uma sobra de US$ 2,8 bilhões nas operações financeiras neste mês somente até a última sexta-feira. Na conta comercial, que considera as entradas e saídas de divisas por conta das operações de exportação e importação, o saldo ficou negativo em US$ 781 milhões.

Os números revelados hoje também apontam uma intervenção mais agressiva da autoridade monetária no mercado de câmbio, com um aumento do volume de compras.

No último dia 8, foram US$ 70 milhões; no dia 9, outros US$ 381 milhões, e no dia 10, US$ 207 milhões. Já faz uma semana que o BC tem feito dois leilões de compra por dia, em vez de apenas um, como foi a prática corrente desde maio.

O BC manteve essa prática hoje, realizando um leilão às 12h08 (hora de Brasília), quando aceitou ofertas por R$ 1,7130; e outro às 15h35, quando tomou dólares por R$ 1,7262 (taxa de corte).

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas não mostraram uma tendência nos contratos mais negociados.

No contrato para outubro deste ano, a taxa prevista recuou de 10,63% ao ano para 10,62%; no contrato para janeiro de 2011, a taxa projetada permaneceu em 10,66%. E no contrato para janeiro de 2012, a taxa prevista passou de 11,32% para 11,33%.

Os números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.

Fonte: Folha Online

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