Dólar cai e novas medidas virão

Publicado em 06/10/2010 08:16
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Um banqueiro que conversou com alguns dos gestores dos maiores fundos de hedge do mundo, na semana passada, voltou do exterior preocupado com a montanha de recursos em moeda estrangeira que o Brasil pode receber nos próximos três a quatro anos. De um deles, ouviu um prognóstico de como pretende alocar seu portfólio: "Serei conservador e aplicarei uns 90% nos mercados emergentes. Desses, talvez metade no Brasil".

Em meio a essa realidade, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta agir para estancar a apreciação do real e impedir que o país perca competitividade em relação a seus principais parceiros comerciais. O governo tem algumas armas de curto prazo, mas elas são insuficientes para resolver o problema na dimensão em que ele se apresenta. Poderão, no máximo, minimizar seus efeitos.

No governo, é clara a avaliação de que o aumento do IOF para 4% nos investimentos estrangeiros de renda fixa foi apenas a primeira medida. Outras virão, podendo atingir inclusive as margens de garantia e a possibilidade de alavancagem das operações na BM&FBovespa.

Outra iniciativa em curso é restabelecer, por medida provisória, a autorização para que o Tesouro emita títulos da dívida pública e com eles capitalize o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Com a permissão - que integrava a MP 452, mas não foi aprovada -, o FSB poderá adquirir dólares de forma ilimitada.

Ontem, no primeiro dia de vigência da nova alíquota do IOF, o real teve valorização. Fechou em R$ 1,675, menor cotação desde 2 de setembro de 2008, com queda de 1% sobre o valor de segunda-feira.

No ranking das 16 principais moedas, o real passou do 10º lugar em que se encontrava no último mês - no auge das pressões pelo fluxo de dólares para a capitalização da Petrobras - para o 2º lugar entre as mais apreciadas. Ficou atrás apenas do rand sul-africano.

Como houve desvalorização do dólar no mercado internacional, é difícil saber se o IOF maior foi inútil ou se evitou uma apreciação ainda mais acentuada do real. As decisões do comitê de política monetária do Banco do Japão, ontem, para superar a deflação e ativar a economia, colaboraram para a depreciação do dólar. O BC japonês reduziu ainda mais os juros - para entre zero e 0,1% - e anunciou um programa de US$ 60 bilhões (5 trilhões de ienes) para compra de ativos mobiliários.

Diante do quadro atual, mesmo os analistas mais liberais admitem um aumento da intervenção do governo no mercado de câmbio no curto prazo. Para enfrentar a tendência de valorização do real no médio e longo prazos, porém, a solução é mais difícil: baixar os juros internos, retirando os ganhos de arbitragem do investidor estrangeiro. Para isso, assim como para elevar a capacidade de acumulação de reservas cambiais, dado o custo de carregamento pelo Tesouro Nacional, seria imperativo um reforço nas metas fiscais.
Fonte: Valor Econômico

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