Dólar fecha a R$ 1,67, com maior queda desde junho; Bovespa tem alta de 1,49%

Publicado em 04/11/2010 16:58
245 exibições

A taxa de câmbio doméstica sofreu o maior "tombo" desde junho desde ano, em uma reação dos agentes financeiros ao pacote bilionário do banco central americano para estimular a economia local.

Entenda a desvalorização do dólar e veja as medidas do governo
Ontem, o Federal Reserve anunciou um programa de recompra de títulos públicos no valor de US$ 600 bilhões, escalonado até junho de 2011. Inicialmente recebido de forma "fria" pelos mercados, forneceu combustível para uma forte recuperação das Bolsas de Valores hoje, para derrubar os preços do dólar.

O dólar comercial foi trocado por R$ 1,678, em baixa de 1,35%, nas últimas operações desta quinta-feira. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,690 e R$ 1,677. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,800 para venda e por R$ 1,630 para compra.

Na BM&F, o contrato futuro de dólar para dezembro projetou uma taxa de R$ 1,682, em queda 1,065% sobre o fechamento de ontem.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tem ganho de 1,49%, aos 72.793 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,77 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York avança 1,65%.

Para a equipe de analistas da Austin Rating, o maior impacto desse programa de estímulo monetário será a valorização do real frente ao dólar. "Isso porque o governo irá aumentar a liquidez no sistema financeiro, porém, esse aumento (...) não deverá ser revertido em aumento de financiamento de investimentos ou consumo privado, mas sim em ampliação da carteira de ativos de países emergentes, sejam títulos públicos ou títulos privados", comentam os analistas, em relatório distribuído hoje.

Eles lembram que o diferencial entre os juros pagos no Brasil (entre os mais altos do mundo) e os juros pagos nas principais economias (em patamares historicamente baixos) ainda torna atrativo aportar recursos por aqui.

Dados divulgados pelo Banco Central reforçaram essa percepção. O chamado "fluxo cambial" (a diferença entre as saídas e entradas de dólares do país) foi o segundo maior valor deste ano --US$ 6,9 bilhões.

Há expectativas entre os agentes financeiros de que o governo lance mão de novas medidas para deter a desvalorização cambial, embora alguns acreditem que somente após a reunião de cúpula do G20, prevista para os dias 11 e 12.

"Com certeza, tem alguma medida 'no forno'. O dólar caiu demais hoje, voltando para R$ 1,67. Acho que tem espaço, inclusive, para alguma realização amanhã, voltando a oscilar entre R$ 1,68 ou R$ 1,69", comenta Glauber Romano, analista da Intercam Corretora. "O governo está estudando alguma nova medida, mas que ele vai tomar muito cuidado, para não por a perder toda a credibilidade que conquistamos nesses últimos anos", acrescenta.

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas avançaram nos contratos mais negociados.

A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apontou uma inflação de 1,04% em outubro ante 0,53% em setembro, no município de São Paulo, pela leitura do IPC (Índice de Preços ao Consumidor).

No contrato para janeiro de 2011, a taxa projetada permaneceu no patamar de 10,65% ao ano; para janeiro de 2012, a taxa prevista subiu de 11,34% para 11,40%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa projetada cedeu de 11,64% para 11,72%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.

Fonte: Folha Online

Nenhum comentário