Comunicado do G20 pede combate ao protecionismo e a desequilíbrios cambiais

Publicado em 12/11/2010 12:03
218 exibições
Os líderes do G20 reunidos em Seul concordaram em melhorar a cooperação multilateral para reduzir os desequilíbrios na economia mundial, em um comunicado que reúne compromissos.

O "Plano de Ação de Seul" determina que as economias do G20 devem mover-se no sentido de um "sistema de taxas de câmbio mais determinado pelo mercado", e que os países devem "abster-se de desvalorizações competitivas de moedas".

"As economias avançadas, incluindo aquelas com moedas de reserva, permanecerão vigilantes à volatilidade excessiva e aos movimentos desordenados das taxas de câmbio. Estas ações ajudarão a reduzir o risco de excessiva volatilidade nos fluxos de capital que alguns países emergentes enfrentam".

Os líderes do G20 destacam ainda que apesar dos "sólidos resultados" no combate à crise financeira global, alguns "desequilíbrios estão alimentando a tentação de adotar unilateralmente soluções globais, levando a ações descoordenadas. No entanto, ações políticas descoordenadas levarão apenas a resultados piores para todos", diz o documento.

O G20, com apoio técnico do FMI, desenvolverá "guias de orientação" compostos por uma "variedade de indicadores" que ajudem a identificar desequilíbrios comerciais importantes que "requerem ações preventivas e corretivas".

Sobre a movimentação protecionista ficou acordado que "os países resistirão ao protecionismo sob todas as formas".

Reafirmando o compromisso de combater o aquecimento global, o G20 anunciou que "não poupará esforços para o êxito do encontro de Cancún (México) sobre as mudanças climáticas", em dezembro.

"Aprovamos o acordo alcançado no FSB (Comitê de Estabilidade Financeira, na sigla em inglês) sobre novas regras de capitais nos bancos e liquidez", afirma o comunicado. A reforma aprovada se concentra especialmente no aumento das exigências em termos de fundos própios, liquidez, endividamento e provisões, para permitir que os bancos de importância sistêmica resistam melhor a uma eventual nova grande crise.

O G20 também respaldou, como esperado, a reforma do FMI (Fundo Monetário Internacional) que concedeu a economias como China e Brasil maior peso de decisão no organismo.

BANCOS

Os líderes do G20 também adotaram hoje na reunião de Seul o novo marco regulatório "Basileia 3", que exige mais fundos próprios aos bancos considerados importantes para o sistema financeiro mundial, com o objetivo de que resistam de maneira melhor a possíveis futuras crises.

A iniciativa do FSB (Comitê de Estabilidade Financeira, na sigla em inglês) inclui a criação de uma lista até maio de 2011 dos estabelecimentos bancários considerados sistêmicos, ou seja, que podem criar um risco para o conjunto do sistema financeiro em caso de falência.

A nova regulamentação e a reforma do FMI (Fundo Monetário Internacional), também aprovada nesta sexta-feira pelo G20, fazem parte do novo desenho das finanças mundiais iniciado pelas potências desenvolvidas e emergentes após a crise que explodiu em outubro de 2008.

"Os líderes do G20 reunidos em Seul validaram as políticas do Comitê de Estabilidade Financeira para reduzir os riscos nas SIFIs (instituções financeiras de importância sistêmica), incluindo os procedimentos e prazos inscritos no relatório submetido", afirma um comunicado divulgado pelo FBS à margem do encontro na capital sul-coreana.
Fonte: Folha de São Paulo

0 comentário