Premiê do Japão proíbe venda de leite e verduras de Fukushima e Ibaraki

Publicado em 23/03/2011 07:50 232 exibições
Estados Unidos proíbem importação de alimentos do país, devido aos altos índices de radiação.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, proibiu na manhã desta quarta-feira (noite de terça, no Brasil) o consumo de leite e verduras procedentes das prefeituras de Fukushima e Ibaraki. As áreas apresentam altos índices de radioatividade após o acidente nuclear que atingiu os seis reatores da usina de Fukushima, no nordeste do Japão.

Kan ordenou aos governadores das duas regiões que proíbam a comercialização do "komatsuna" (vegetal utilizado em saladas) e do brócolis procedente de Fukushima, assim como do leite e da salsa produzidos em Ibaraki. As informações foram veiculadas pela agência local Jiji Press.

Os Estados Unidos anunciaram a proibição da importação direta de alguns alimentos produzidos no Japão, também em razão da crescente contaminação radioativa. A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), que regula todas as importações de alimentos, proibiu a entrada nos EUA de leite e derivados, verduras e frutas frescas das prefeituras japonesas de Fukushima, Ibaraki, Tochigi e Gunma não submetidos a testes de contaminação radioativa.

A FDA "fará testes com os carregamentos de alimentos da área afetada". "Os técnicos da FDA que operam nos portos de entrada têm sistemas de detecção de radiação disponíveis para sua segurança pessoal".

Fukushima sofre novos tremores

Para agravar os temores quanto à crise nuclear, que parecia ceder, novos abalos foram registrados no início da madrugada desta quarta, próximos à usina nuclear de Fukushima. A planta sofreu graves danos após o terremoto de magnitude 9, seguido de um tsunami, que deixou mais de 9 mil mortos e 12 mil desaparecidos.

Sísmologo do Japão informaram que não havia temores de novo tsunami depois desses terremotos, de magnitudes 6 e 5,8. A rede de TV NHK noticiou que não havia informes imediatos sobre mais danos na usina.

Após ficar sem eletricidade, os sistemas de refrigeração pararam de bombear água para os núcleos atômicos, que suparequeceram. Explosões de hidrogênio espalharam incêndios pelo complexo e destruíram parte do isolamento dos reatores. Sem a capacidade de manter o nível de água constante, apesar de usar o mar, helicópteros e caminhões de bombeiros, os funcionários do complexo viram o combustível atômico ficar exposto ao ar, elevando os índices radioativos a níveis muito além do tolerável para os organismos vivos.

No último final de semana, os técnicos conseguiram restabelecer parte da eletricidade e retomaram a refrigeração convencional do complexo, o que reduziu o risco de novas explosões. Os reatores, contudo, seguem apresentando falhas, novos pequenos focos de incêndio e deverá levar tempo para todo o perigo ser controlado. A usina, por sua vez, terá de ser fechada após o fim dos trabalhos de estabilização.

Fonte:
Correio do Povo

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