JBS prevê receita de US$ 40 bi e busca reestruturar sua dívida

Publicado em 25/03/2011 07:41 232 exibições
O novo presidente da JBS S.A Wesley Batista disse ontem que a empresa deve alcançar faturamento líquido de US$ 40 bilhões este ano ou cerca de R$ 60 bilhões. Isso significa um crescimento de quase de 9% em relação à receita líquida de 2010, quando a maior empresa de proteínas animais do mundo faturou R$ 55 bilhões e teve prejuízo de R$ 264 milhões.

No ano que passou, a receita da JBS cresceu 57,7% sobre 2009, quando havia alcançado R$ 34,905 bilhões. A razão é a incorporação dos resultados de Bertin e da Pilgrim's Pride, adquiridas no fim de 2009.

De acordo com Batista, que até janeiro presidia a JBS USA, o foco da JBS neste ano é adicionar produtos de maior valor agregado e marca ao seu portfólio. "Não estamos focados em aquisições, mas em colher os frutos do que fizemos", disse em encontro com jornalistas, referindo-se às aquisições de Bertin e Pilgrim's Pride. "Se aparecer negócio que faça sentido, só olharemos se tiver marca, distribuição e valor agregado", acrescentou.

A descrição cai como luva na americana Sara Lee, que atua em carnes e café e com a qual a JBS chegou a negociar no fim de 2010. Batista, no entanto, desconversou quando questionado sobre o tema. "Não sei o que pode acontecer. A Sara Lee é um ótimo cliente nosso, tem perfil [desejado], mas outras também têm, como a Oscar Mayer, e várias empresas ao redor do mundo". A empresa citada é controlada pela Kraft Foods.

Segundo o presidente da JBS, o prejuízo de R$ 264 milhões de 2010 é resultado, principalmente, do pagamento de prêmio de debêntures ao BNDESPar, no valor de R$ 521,9 milhões. Essa multa foi paga porque a JBS não cumpriu cláusula de acordo assinado com o BNDES, no fim de 2009, quando o banco de fomento subscreveu 100% de US$ 2 bilhões em debêntures conversíveis em ações colocadas no mercado pela JBS.

Estava previsto que as debêntures seriam convertidas em ações da JBS USA se a empresa concluísse a oferta pública da unidade americana até 31 de dezembro de 2010. Como a oferta pública não ocorreu, a empresa teve de pagar a multa. Agora, a JBS negocia com o BNDES uma operação de recompra dessas debêntures, sem a obrigatoriedade de ter de abrir o capital da empresa americana ainda em 2011.

O IPO da subsidiária americana, aliás, não está nos planos da JBS no momento, apesar da recuperação da economia americana. "Não estamos olhando para fazer IPO", afirmou Batista.

A JBS encerrou o quarto trimestre de 2010 com a relação entre dívida líquida e EBITDA de 3 vezes, acima dos 2,9 vezes do trimestre anterior. O pagamento da multa ao BNDES foi uma das razões, segundo o empresário.

Com endividamento bruto de R$ 15,564 bilhões, sendo quase 90% disso no Brasil, a JBS SA buscará reestruturar suas dívidas este ano. Wesley Batista informou que o plano é transferir cerca de US$ 2 bilhões em dívidas da S.A. para a JBS USA, que tem alavancagem pequena, de 0,7 vezes.

Para fazer a transferência, a empresa analisa a possibilidade de emitir novos títulos ou tomar empréstimos bancários lá fora para pagar dívida da S.A. ou transferir títulos de dívida (bonds) da S.A. para a subsidiária americana. "Nossa receita é principalmente em dólares e os custos também, então não faz sentido ter a maior parte da dívida no Brasil", disse.

A transferência da dívida reduziria despesas financeiras no Brasil e traria benefícios fiscais. O raciocínio é o seguinte: dívida maior na subsidiária significa lucro menor e menos impostos. Segundo o empresário, a medida pode gerar um lucro líquido adicional de US$ 100 milhões por ano.

Conforme o CEO da JBS, o aumento na receita previsto para este ano deve vir do incremento do uso da capacidade instalada na Pilgrim's, nos EUA, do aumento dos preços de carnes e também maior demanda para exportação. Ele estimou ainda um incremento gradual no uso da capacidade instalada da empresa a partir do segundo semestre, com a melhora na oferta de gado para abate. No segundo semestre de 2010, a utilização estava na casa de 75%, o que se mantém hoje.

Fonte:
Valor Econômico

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