Alimentos devem manter pressão inflacionária, dizem analistas

Publicado em 26/04/2011 10:02 236 exibições
Custo para o produtor tende a aumentar e ser repassado para o consumidor.
O setor de alimentos ajudou a evitar uma alta maior na inflação semanal ao consumidor, conforme revelou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas, de acordo com analistas de mercado, não significa uma tendência de pressão menor do segmento sobre os índices de preços.

O economista da FGV, André Brás, explica que, enquanto alguns produtos têm queda, outros têm valorização e passam a ter mais impacto sobre os indicadores de preços.

– E à medida que há uma economia que cresce, as pessoas consomem mais, mesmo que o preço aumente – destaca.

O professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Antônio Corrêa de Lacerda, acrescenta que o setor de alimentos também sofre o impacto do mercado internacional.

– Ainda é cedo para falarmos de alimentos mais baratos – conclui.

No campo

Mas a explicação vai além da demanda e do impacto do mercado internacional sobre os preços de alimentos. O economista do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo, José Sidnei Gonçalves, lembra que é preciso considerar também a situação no campo.

– As taxas de crescimento são menores, mas os preços continuam crescendo. E se há preço crescente, é porque não tem produção em níveis adequados – ressalta.
Em São Paulo, por exemplo, o preço ao produtor está mais alto. O Índice de Preços Recebidos (IPR) medido pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) aumentou 1,59% no intervalo de quatro semanas encerrado na semana passada. Mas os custos de produção também estão em alta.

– Há uma situação de preços de venda alto, mas o produtor não consegue aproveitar porque, atualmente, poucos têm produto. E, para a próxima safra, os custos vão crescer – alerta o economista José Sidnei Gonçalves.

– O produtor vai conviver com custo mais alto e isso ele repassa para o produto. Ele deve revisar a sua planilha de custos – recomenda Brás.

Fonte:
Canal Rural

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