Para o BC, inflação já está sob controle

Publicado em 06/05/2011 08:52 191 exibições
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, aproveitou a apresentação que fez na Câmara dos Deputados, ontem, em Brasília, para reforçar os pontos da nova estratégia do BC para o combate à inflação, descrita na ata da última reunião do Copom e que indica um aperto "prolongado" dos juros. Segundo ele, o país já está "com a inflação sob controle" e os dados mensais a partir deste mês já mostrarão um IPCA em torno do centro da meta, na casa dos 0,4% ao mês. É preciso, porém, "garantir" que a inflação convirja para a meta em 2012 (4,5%), por isso um ciclo mais longo de aumento da Selic.

"Isso é uma necessidade. Precisamos ter garantias de que a inflação em 2012 convergirá para o centro da meta", disse Tombini aos deputados e senadores presentes à audiência pública conjunta no Plenário da Comissão Mista de Orçamento da Câmara.

"O combate à inflação não é uma corrida de 100 metros. É um esforço prolongado. A política monetária tem defasagens. Tudo o que foi feito até agora não conseguiu atingir ainda a inflação corrente nesses três meses. A inflação acumulada em 12 meses voltará a recuar no terceiro ou quarto trimestre deste ano e rumará com segurança para o centro da meta", disse.

O IPCA do mês passado será divulgado hoje e Tombini acredita que o número ainda será "alto". O primeiro quadrimestre teve inflação mensal de 0,8%, disse, acima do que é compatível. Mas o indicador começará a recuar neste mês, quando o IPCA deverá apontar para algo entre 0,35% e 0,4%, segundo ele.

Há agentes do mercado, lembrou Tombini, que já acreditam que a inflação de junho e julho virá em um nível muito baixo, mas não é esse o cenário do BC. "A inflação será baixa, mas não tão baixa quanto junho e julho de 2010 (quando ficou próxima de zero). No acumulado de 12 meses, no entanto, continuará a crescer, mesmo que hoje a inflação esteja sob controle e caminhando para a meta (em bases mensais)", afirmou.

Tombini negou que tenha havido uma mudança na política monetária alardeada na ata do Copom, em relação ao que havia sido afirmado no Relatório de Inflação do fim de março. O que ocorreu, segundo ele, foi apenas uma "ênfase" maior nos instrumentos convencionais (juros), mas as medidas macroprudenciais não foram descartadas. "Não há mudança alguma. Apenas na comunicação demos destaque especial para as políticas convencionais".

Ele também reafirmou que o choque de preços externos teve impacto relevante nos preços domésticos, mas que esse não é o único fator que pressiona a inflação. "Não é a visão do Banco Central de que não há inflação de demanda. A visão do BC é que há múltiplos fatores que influenciam os preços. Alguns são comuns a todos os países (alimentos e energia). Mas há também, e o BC sempre reconheceu, fatores ligados à demanda, que cresceu 10,5%, à frente do PIB, e que está refletido, por exemplo, nos preços dos serviços" afirmou ele.

Com relação ao câmbio, Tombini disse que não está no radar do BC a aplicação da temida "quarentena" para a entrada de recursos estrangeiros no país, mas que a autoridade monetária permanecerá atenta ao fluxo de dólares, ainda em nível elevado e com impacto no crédito interno. Ele ponderou, porém, que a contribuição das variações cambiais para o controle dos preços diminuiu ao longo do tempo graças à política de câmbio flutuante. "Não dá para contar com isso para fazer a inflação convergir", afirmou.

Por fim, o presidente do Banco Central disse que é possível compatibilizar inflação e crescimento. "Obviamente temos os ciclos econômicos, quando a ênfase no controle da inflação deve ser maior, como agora. Não dá para crescer com a inflação descontrolada. Também de nada vale uma economia controlada que não cresce", disse Tombini. "Estamos num período de crescimento. É possível crescer sim e teremos um crescimento significativo. Vamos combater a inflação e crescendo", completou o presidente do Banco Central.

Fonte:
Valor Econômico

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