G-20: Plano para preços revela divergências

Publicado em 24/06/2011 08:07 175 exibições
O primeiro encontro de ministros de agricultura do G-20 aprovou um plano de ação para evitar a volatilidade de preços que mascara as enormes divergências sobre políticas agrícolas globais e que foi recebido com ceticismo por assessores de vários paises.

A criação do Sistema de Informação do Mercado Agrícola (Sima) visa a reforçar a transparência sobre estoques de alimentos, produção, consumo, exportações e importações. São tantos dados que dificilmente um país fornecerá todos, a começar pela China e Índia que terão todo o tempo para se "adaptar".

O G-20 criará também um sistema de alerta para situações agudas, pretende melhorar a vigilância e a previsão meteorológica para a agricultura, fazer um projeto-piloto de pequeno estoque de alimentos para operações humanitárias, além de estimular pesquisa para arroz e trigo.

Bruno Le Maire, ministro francês da agricultura, apresentou o plano como o início de uma novo modelo de agricultura mundial. O Valor questionou, nesse caso, o que será feito com os subsídios agrícolas bilionários, dados pelos países desenvolvidos, que derrubam preços nas nações pobres e criam volatilidade nos mercados agrícolas. Le Maire respondeu que "outros temas" virão à mesa no futuro.

O Brasil saiu satisfeito do encontro. O G-20 reconheceu que a resposta à volatilidade dos preços agrícolas é elevar a produção. O grupo não endossou interferência no mercado para regular preços. "Isso seria um absurdo, geraria uma catástrofe no futuro, com os agricultores saindo dos produtos controlados e indo para outras culturas', observou o ministro brasileiro da agricultura Wagner Rossi.

O Brasil deixou claro que, dada sua enorme capacidade de produção, "estamos prontos a assumir nossa tarefa quando o aumento da produção de alimentos será crucial para uma situação social estável". No mínimo, a agricultura brasileira crescerá 3% a 5% ao ano, mas é possível chegar a 10% ao menos no excedente para exportação.

Sobre regulação de mercados futuros, o G-20 sugeriu a análise da especulação financeira.
Fonte:
Valor Econômico

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