Advogado diz que não há provas contra Genoino no processo do mensalão

Publicado em 08/07/2011 15:12 293 exibições
O advogado do ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, afirmou nesta sexta-feira que não há nenhuma prova contra o petista no processo do mensalão.

Parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, divulgado na noite desta quinta-feira, pede a prisão do petista por crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, que renderiam pena de 17 a 99 anos de cadeia.

Pacheco ressaltou que ainda não teve o acesso ao parecer, mas disse que, pelo conhecimento que tem do processo, não há nenhuma prova que ligue Genoino ao pagamento de deputados e políticos para votar em projetos de interesse do governo federal, na época presidido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Essa pratica não só não ocorria como não há nada que vincule o Genoino a qualquer coisa nesse sentido”, afirmou Pacheco. Gurgel ainda classificou o ex-deputado, que não conseguiu a reeleição em 2010 e agora trabalha como assessor do Ministério da Defesa, de “interlocutor político do grupo criminoso”, responsável pelos acordos com outros partidos.

Pacheco argumentou que não havia crime nos atos de Genoino. “De fato, ele era o interlocutor político. Isso não é crime. Ele exercia o mais alto cargo do partido do governo [era presidente do PT], mas nunca envolvendo qualquer ato ilícito”, disse o advogado.

Roberto Jefferson: Agora fica difícil Lula desmentir o mensalão

Delator do esquema de corrupção que causou a maior crise durante o governo Lula (2003-2010), Roberto Jefferson (PTB-RJ) comenta a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que condene 37, dos 38, réus do caso "mensalão". "Agora ficará difícil desmentir o mensalão", ataca.

Ao deixar a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua tarefa, ao deixar o cargo, seria provar que o mensalão "é uma farsa".

- (Agora é) mais difícil ele desmoralizar o mensalão politicamente. O fato jurídico está evoluindo e já superou o fato político. O fato político já se consolidou - defendeu Roberto Jefferson.

Confira a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Demorou demais?
Roberto Jefferson - Não acho que demorou. Esse era o esperado. O caminho natural das coisas. Está cumprindo os prazos, dentro do equilíbrio. Agora é botar na pauta para julgar e esperar pela decisão do plenário.

Quando Lula deixou o governo, ele disse que sua nova tarefa seria provar que o "mensalão é uma farsa". Com essa decisão do procurador, a tarefa de Lula fica mais difícil de ser cumprida?
É mais difícil ele desmoralizar o mensalão politicamente. O fato jurídico está evoluindo e já superou o fato político. O fato político já se consolidou. Não tem mais como desmentir politicamente isso.

Como avalia o Estado depois do mensalão?
Ficou mais transparente. Desmistificou o último grupo que se fingia vestal no Brasil. Acusava todo mundo, mas com o escopo claro de fazer do ataque uma defesa. O que o PT apontava nos outros partidos, fazia pior. Penso que, depois desse processo clareado, eles estejam repensando as atitudes. Nesse ano ainda ouvimos falar de casos isolados, no Ministério dos Transportes, por exemplo, mas não é algo mais geral, como foi o mensalão.

Acredita que o País ainda corre o risco de haver um novo mensalão dessas proporções?
Não creio que haja um novo mensalão deste tamanho. Hoje essas coisas estão muito expostas. A imprensa despertou para isso e passou a fiscalizar mais. Esse tipo de coisa vaza. O cara dá vitória a um grupo que atende aos interesses políticos dele, o outro que perdeu gravou e dá pra imprensa. É assim.

O ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken ficou de fora do pedido de condenação da PGR. O que achou disso?
Nunca vi Gushiken nas articulações do mensalão, mas via o José Dirceu, Delúbio Soares... Nunca soube, nunca tive nenhuma informação de que o Gushiken estivesse articulando isso. O mensalão saia mesmo da Casa Civil, esta é a minha sensação plena.

Fonte:
Valor Online + Terra

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