No Valor: União Europeia quer proteger países resgatados de agências de rating

Publicado em 11/07/2011 06:14 e atualizado em 11/07/2011 15:20 733 exibições
Segundo agência Reuters, Itália pode ser a próxima afetada por crise.
A União Europeia quer que as agências de ratings suspendam suas classificações para países com planos de resgate financeiro. A informação partiu do comissário de Serviços Financeiros do bloco, Michel Barnier. Para ele, há a necessidade de ser mais exigente sobre como as agências de classificação do crédito dão notas para a dívida soberana.

"Não se trata de estilhaçar o termômetro em decorrência das dificuldades enfrentadas por determinados Estados. Mas quando um Estado é membro da União Europeia e se beneficia da solidariedade de seus membros, quando ele segue um programa de apoio internacional, isso deve ser levado em conta", afirmou.

Barnier insistiu que se dá muita importância às agências de rating e que elas devem ser objeto de uma supervisão mais dura na Europa.

Na semana passada, a agência Moody's reduziu o rating de Portugal em quatro degraus, colocando a nota em nível especulativo. Vários representantes europeus reclamaram do momento em que veio a notícia, tendo em vista que o governo português começa a implementar medidas de austeridade fiscal em troca do resgate de líderes europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No G1: União Européia convoca reunião de emergência sobre crise econômica da Itália

O chefe do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou uma reunião de emergência com as principais autoridades que lidam com a crise da dívida da zona do euro para segunda-feira (11). Segundo a agência Reuters, o encontro reflete a crescente preocupação com a chance de a crise chegar à Itália, a terceira maior economia da região.

Participarão da reunião o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, o chefe dos ministros das Finanças da região, Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, disseram à Reuters três fontes oficiais.
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O porta-voz de Van Rompuy, Dirk De Backer disse que "é uma reunião de coordenação, não de crise". Ele completou dizendo que a Itália não será tema da reunião e se recusou a dizer o que será discutido.

De acordo com o jornal "The Wall Street Journal", a reunião foi convocada para discutir um segundo pacote de ajuda financeira à Grécia. Entretanto, duas fontes disseram à Reuters que a situação na Itália será discutida.

As conversações foram organizadas depois de uma grande venda de ativos italianos na sexta-feira (8), que aumentou os temores que a Itália, com a maior relação entre dívida soberana e produção econômica na zona do euro após a Grécia, poderá ser o próximo país a sofrer com a crise.

A pressão do mercado se deve, em parte, à elevada dívida pública da Itália e à sua economia letárgica, mas também à preocupação de que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi possa estar tentando prejudicar e até mesmo derrubar o ministro da Economia, Giulio Tremonti, que promoveu grandes cortes para controlar o déficit orçamentário.

"Não podemos seguir adiante por muitos dias como a sexta-feira (8)", disse um alto funcionário do Banco Central Europeu. "Estamos muito preocupados com a Itália".

O encontro de emergência de segunda-feira vai preceder uma reunião previamente marcada entre os 17 ministros das Finanças da zona do euro para discutir como garantir a contribuição de investidores do setor privado para o segundo pacote de socorro à Grécia, assim como os resultados dos testes de estresse dos 91 bancos europeus.

A Espanha, tradicionalmente vista como o próximo dominó da crise, tem conseguido manter o seu acesso a financiamentos do mercado por meio de reformas fiscais. Mas por causa do tamanho das economias da Espanha e da Itália, a pressão na zona do euro pode aumentar drasticamente se os países eventualmente vierem a precisar de ajuda financeira.

O jornal alemão Die Welt citou no domingo uma fonte não identificada do BCE que teria dito que o atual fundo de resgate europeu, que tem um tamanho nominal de 440 bilhões de euros, não seria grande o suficiente para proteger a Itália porque não havia sido projetado para fazer isso.

Na Itália, neste domingo (10), políticos e funcionários do governo se esforçavam para apresentar uma frente unida e defender Tremonti. Umberto Bossi, o poderoso líder da coalizão de aliados da Liga Norte de Berlusconi, elogiou Tremonti por 'ouvir os mercados.'

"A partir de amanhã [segunda-feira], temos que mostrar que estamos unidos e bloqueando o esforço dos especuladores", disse Paolo Bonaiuti, um subsecretário e assessor de Berlusconi.

No Estadão:

Crise piora e bolsas europeias abrem em queda

Os investidores começam a semana atentos à piora da crise na Europa. Depois de Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal, a crise da dívida desembarca na Itália e líderes da União Europeia (UE) convocam para esta segunda-feira, 11, uma reunião de emergência para tentar frear o contágio. Por mais séria que tenha sido, a ameaça de um calote apenas rondou a periferia da Europa. Mas agora é a terceira maior economia da zona do euro que sofre os ataques do mercado.

Em clima de expectativa e nervosismo, as bolsas da Europa reagiram em queda.

Às 11h32, a Bolsa de Londres operava em queda de 1,20%, a Bolsa de

Frankfurt cedia 2,58%, a Bolsa de Paris recuava 2,84%, a Bolsa de Lisboa caía

4,57%, a Bolsa de Milão registrava perda de 4,30% e a Bolsa de Madri cedia 3,22%,

diante de receios de que a crise da Grécia se espalhe para outros países europeus.

Na sexta-feira, o risco país da Itália foi duramente atingido pelo mercado, que passou a apostar não apenas na quebra da periferia. As dúvidas em relação à saúde dos bancos italianos também ajudou a proliferar a tensão, a uma semana do resultado do teste de stress nas instituições financeiras da Europa. As ações do Unicredit Spa, o maior banco da Itália, desabaram quase 8%.

Nos Estados Unidos, fundos de pensão que tinham investimentos na Itália iniciaram uma corrida para vender seus ativos, aprofundando ainda mais os temores em relação à Roma.

Além da Itália, os lideres econômicos da zona do euro também vão discutir um segundo pacote de resgate à Grécia. O resgate vive um impasse. O país precisa aprovar medidas de austeridade para reduzir o saldo negativo das contas públicas. Contudo, com o forte desaquecimento da economia, o volume de arrecadação do governo tende a ser cada vez menor. Já a população, protesta diante das medidas de corte de gastos sociais, além do desemprego.

Aversão ao risco. As ameaças de um default na Grécia, Portugal e Irlanda prometiam criar um terremoto para a Europa. Mas o bloco sempre esteve convencido de que tinha como resgatar financeiramente esses países. No caso da Itália, não haveria um resgate multilateral possível que pudesse ser arrecadado para salvar Roma. Para analistas, uma quebra da Itália significaria uma falência do projeto de moeda comum do euro.

Por enquanto, nenhum líder europeu acredita que a Itália esteja sob essa ameaça real. Mas eles querem tentar matar qualquer dúvida já em seu início, antes que ela se instale e seja ainda mais difícil de dissipar.

Divergências. Na Itália, o caos político não tem ajudado o país que já tem uma dívida superior a 120% do PIB. Para completar, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seu ministro de Finanças não se falam por divergências sobre como aplicar o plano de austeridade. Não por acaso, o risco país da Itália atingiu um pico recorde na semana passada.

Depois de meses de crise, a UE continua tratando a questão da dívida como um problema de liquidez, aprovando pacotes de resgate para países como Grécia e Portugal baseado na injeção de recursos. No caso da Itália, a própria UE admite que não teria nem como imaginar um pacote de resgate, diante do tamanho da economia envolvida.

Para especialistas, uma nova forma de lidar com a crise da dívida teria de ser estabelecida, baseada em uma restruturação de toda a economia.

Fonte:
Valor + G1 + Estadão

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