Alta dos alimentos e baixos estoques deixam mundo em alerta, diz Banco Mundial

Publicado em 16/08/2011 10:34 620 exibições
Segundo relatório, em julho os valores mundiais dos mantimentos estavam 33% mais altos do que um ano antes.
Os altos preços dos alimentos e os baixos níveis de estoques fazem com que o mundo continue em uma zona de perigo, disse nessa segunda, dia 15, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Segundo o relatório trimestral Food Price Watch, divulgado pelo Banco Mundial nessa segunda, em julho (último dado disponível) os preços mundiais dos alimentos estavam 33% mais altos do que um ano antes e próximos do recorde registrado em 2008.

O documento cita ainda os níveis alarmantes dos estoques mundiais de alimentos.

– Com esses baixos níveis de estoques, mesmo pequenas quedas na produção podem ter efeitos amplificados sobre os preços – diz o texto.

Depois de um pico em fevereiro, alguns produtos chegaram a registrar baixa de preços, mas a volatilidade é motivo de preocupação.

De acordo com o Banco Mundial, a esperada volatilidade nos preços de produtos como açúcar, arroz e petróleo pode ter efeitos inesperados nos preços dos alimentos nos próximos meses.

– A vigilância é vital, devido às incertezas e à volatilidade existentes – disse Zoellick.

A volatilidade pode ser observada na evolução de produtos como o milho, cujo preço caiu em junho e voltou a subir em julho, registrando aumento global de mais de 80% no período de um ano.

O comportamento também varia de acordo com a região. Enquanto os preços do milho aumentaram mais de 100% em um ano em Uganda, no Haiti, no mesmo período, houve queda de 19%.

Entre os diversos fatores que contribuem para a alta dos alimentos está o aumento dos custos de produção, causado em parte pelos altos preços do petróleo, atualmente 45% maiores do que os registrados um ano atrás.

A alta tem impacto sobre a cadeia produtiva. De julho de 2010 a julho de 2011, o preço dos fertilizantes subiu 67%.

Segundo o Banco Mundial, as incertezas sobre a economia global e a instabilidade política em diversos países do Oriente Médio e do Norte da África devem manter os preços do petróleo voláteis no curto prazo.

Essa combinação de altos preços dos alimentos, baixos estoques e grande volatilidade é uma situação de risco para as populações mais pobres do mundo em desenvolvimento, e o exemplo mais recente é o da crise que já afeta mais de 12 milhões de pessoas no Chifre da África.

De acordo com o relatório, apesar de a situação de emergência na região ter sido provocada por um período prolongado de seca e conflitos internos, como no caso da Somália, os altos preços dos alimentos contribuíram para agravar a crise.

– O desastre afetou os mais vulneráveis. Na Somália, os preços dos cereais produzidos localmente continuam a crescer em todas as regiões desde 2010 e já ultrapassam o pico de 2008 – diz o Banco Mundial.

Para Zoellick, em nenhum outro lugar do mundo a combinação de altos preços dos alimentos, pobreza e instabilidade produz efeito mais trágico do que no Chifre da África.

Segundo o relatório, como a vulnerabilidade aos altos preços dos alimentos varia em cada país e também entre diferentes grupos populacionais dentro de um mesmo país, a resposta ao problema deve envolver uma combinação entre intervenções de emergência para ajudar aos mais vulneráveis e iniciativas de longo prazo.

Na Agência EFE:

BM diz que preços dos alimentos são ameaça para os mais pobres

Os altos preços dos alimentos, que estão alcançando picos históricos, e a contínua volatilidade de matérias-primas nos mercados estão pondo em risco os cidadãos mais pobres do mundo, advertiu nesta segunda-feira o Banco Mundial (BM).

A instituição indicou em seu último Observatório de Preços dos Alimentos que o valor da comida segue sendo "significativamente" mais alto do que há um ano e está perto do nível recorde registrado em 2008.

Os preços dos alimentos em julho foram 33% mais altos do que no ano anterior, enquanto os preços do petróleo aumentaram 45%, uma alta que afeta os custos de produção e o preço dos adubos, que subiram 67% durante o mesmo período.

Segundo o relatório, alimentos básicos como o milho e o trigo subiram 84% e 55%, respectivamente, enquanto o açúcar teve uma elevação de 62% e o óleo de soja aumentou 47%. "A contínua alta dos alimentos e o baixo nível de reservas indicam que ainda estamos na zona de perigo para as pessoas mais vulneráveis", disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, em comunicado.

Zoellick avaliou que "a vigilância é vital", já que a incerteza sobre a economia mundial, combinada com a situação política no Oriente Médio e no Norte da África, pode contribuir para manter os preços do petróleo voláteis no curto prazo.

Os preços seguem instáveis em todos os países, como demonstra as diferenças do custo do milho, que subiu mais de 100% em Campala, Mogadíscio e Kigali nos 12 últimos meses até junho, enquanto caiu 19% em Porto Príncipe e Cidade do México.

Em meio a estas grandes variações, os preços internos de produtos de primeira necessidade aumentaram bruscamente no trimestre passado em uma série de regiões, especialmente na América Central, América do Sul e Leste da África.

Quanto à situação na Somália, onde foi declarada uma situação de emergência devido à crise de fome, o BM destacou que nos últimos três meses morreram mais de 29 mil crianças menores de 5 anos e 600 mil permanecem em situação de risco.

A atual crise, à qual se somou uma prolongada seca, ameaça mais de 12 milhões de pessoas, sobretudo nas áreas em conflito, o que provocou o deslocamento de milhares de somalis.

"Em nenhum lugar se combinam os altos preços dos alimentos, a pobreza e a instabilidade para produzir o mais trágico sofrimento como no Chifre da África", lamentou Zoellick, que acrescentou que o BM destinou U$ 686 milhões para melhorar a situação social, fomentar a recuperação econômica e a resistência à seca na região.

Fonte:
Agência Brasil + EFE

1 comentário

  • Vilson K. Carazinho - RS

    É meus amigos, vamos plantar mato pra matar a fome desse povo!!?

    será que os ambientalistas preferem a segurança ambiental à segurança alimentar do mais necessitados??

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