Nova recessão pode ter impacto maior na China

Publicado em 25/08/2011 17:11 215 exibições
Três anos após o colapso da demanda global ocorrido no fim de 2008, a China está com capacidade restrita de suportar uma nova recessão por causa da dependência do país em exportações e investimentos como alavanca de crescimento.

Uma recuperação em duas velocidades, com a China e outros mercados emergentes se expandindo em ritmo acelerado enquanto as economias desenvolvidas saem mancando da recessão, alimenta a crença de que a China está imune a gripe econômica global. Isso é parcialmente verdadeiro.

As exportações chinesas diminuíram como porcentagem do produto interno bruto de 35% em 2007 para 27% em 2010. Isso ainda é alto. E as exportações para os Estados Unidos e a União Européia ainda representam 10% do PIB, contra 13% em 2007. Se o comércio mundial voltar a cair, o impacto sobre a China será próximo ao que aconteceu em 2008.

No lado positivo, a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações continuou a crescer. Isso reflete o aumento da competência técnica das fábricas do país e uma redução na dependência de componentes importados. Mas com a China produzindo mais em vez de agir somente como um elo na cadeia mundial de abastecimento, o impacto de uma desaceleração na demanda global também aumenta. A previsão mais recente do economista do UBS China Wang Tao mostra as exportações líquidas subtraindo 1,1 ponto porcentual do crescimento do PIB em 2012.

Enquanto isso, a real fraqueza da China é que o efeito sobre o PIB da desaceleração nas exportações foi compensado não por um aumento sustentável do consumo interno mas sim por mais investimentos. O consumo cresce em ritmo acelerado. As vendas no varejo em 2010, por exemplo, tiveram um aumento real de 15%.

Mas a base de comparação do consumo das famílias é baixa, e com o aumento no ritmo de expansão dos investimentos, a participação do consumo das famílias no PIB caiu para 33% em 2010, de 35% em 2007.

Compare isso aos investimentos onde a disparada nos gastos com infraestrutura em 2009 e nas construções residenciais em 2010 e 2011 levaram a participação dos investimentos no PIB a aumentar de 39% em 2007 para 46% em 2010. O retorno menor de novas estradas e ferrovias e os esforços para conter a bolha imobiliária significam que a capacidade dos investimentos de compensar o efeito de uma nova queda na demanda global será limitada.

A China enfrenta a possibilidade de uma segunda retração mundial com o seu destino ainda atrelado ao ocidente.

Fonte:
Valor Online

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