Bernanke diz que Fed tem ferramentas para agir em prol da economia

Publicado em 09/09/2011 08:05 e atualizado em 09/09/2011 10:39 136 exibições
Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, o banco central americano, disse na quinta-feira que o banco dispõe de ferramentas para dar mais apoio à lenta economia americana, mas não quis dizer se está preparado para usá-las dentro de menos de duas semanas.

Lendo comentários preparados em um almoço de um clube de economia de Minnesota, Bernanke disse que o banco central espera que a recuperação se fortaleça aos poucos ao longo do tempo, embora outras autoridades tenham reduzido sua previsão de crescimento para os próximos trimestres.

Depois de dizer, no mês passado, que pretendem manter o juro de curto prazo próximo a zero até meados de 2013 para facilitar o crédito, as autoridades do Fed vão discutir as ferramentas que ainda têm em mãos para dar um estímulo à economia ainda este mês. Eles "estão preparados para empregar essas ferramentas de forma adequada", disse Bernanke. Com a mesma linguagem que usou no discurso de 26 de agosto em Jackson Hole, no Estado de Wyoming, o chefe do Fed deixou a porta aberta para a introdução de mais estímulos, porém não se comprometeu a executá-los.

Esta fala de Bernanke é a última antes de uma reunião muito esperada do núcleo de tomada de decisões do Fed, em 20 e 21 de setembro. A acentuada desaceleração da economia nos últimos meses levou as autoridades do Fed a estudar a possibilidade de tomar novas medidas não convencionais para tentar estimular o crescimento. Embora as autoridades estejam divididas, a maioria parece pronta para agir.

Muitos investidores esperam que o Comitê de Política Monetária do Fed anuncie uma mudança na composição da carteira de títulos do banco central, de modo a manter mais títulos de longo prazo e menos títulos de curto prazo. A medida, apelidada de "Operação Twist" nos mercados financeiros, seria destinada a impulsionar a economia, reduzindo ainda mais o juro de longo prazo.

No entanto, o chefe do Fed não se comprometeu a executar nenhuma ação, dizendo apenas que o Fed tem "uma gama de ferramentas que poderiam ser usadas ​​para oferecer mais estímulo monetário".

A operação twist, ou seja, aumentar a maturidade dos investimentos em títulos já existentes, representaria uma opção intermediária para o Fed. O passo mais agressivo e polêmico seria a expandir sua carteira de US$ 2,325 trilhões da dívidas do governo e de hipotecas, lançando uma terceira rodada de compra de títulos – programa conhecido nos mercados como QE3 (terceira rodada de relaxamento quantitativo). Um passo mais suave, agora em estudo pelas autoridades do Fed, é uma redução na taxa de 0,25% que paga aos bancos que guardam reservas de caixa no banco central, como estímulo para que emprestem mais.

Bernanke destacou vários pontos fracos na economia, incluindo os gastos do consumidor excepcionalmente fracos e o fato de que crises de dívida na Europa e nos EUA provavelmente atingiram a confiança do consumidor nos últimos meses. Observou também que o Fed espera que a inflação se modere com o tempo, após o pico no início do ano causado pelos altos preços de energia e alimentos.

"É importante notar que vemos poucas indicações de que a inflação mais elevada ocorrida este ano até agora tenha se enraizado na economia", disse o chefe do Fed, sinalizando que é possível mais estímulo monetário sem risco de uma explosão da inflação.

A economia americana cresceu a um ritmo moderado no primeiro semestre e se desacelerou ainda mais nos meses de verão, enquanto a luta em Washington sobre o teto da dívida e os problemas dos bancos da Europa agitavam os mercados financeiros.

Fonte:
The Wall Street Journal

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