Semana reserva varejo no Brasil e inflação nos EUA

Publicado em 12/09/2011 08:27 322 exibições
Os indicadores da economia americana são destaque na agenda desta semana que marca o terceiro ano da quebra do Lehman Brothers, evento que promoveu a maior crise desde o crash de 1929 e continua reverberando nos mercados e na economia mundial.

Nos Estados Unidos, são aguardados os indicadores de inflação no atacado e no varejo, bem com a produção industrial e vendas no comércio. Por aqui, o destaque fica por conta a pesquisa de comércio de julho.

Nesta segunda-feira, constam tradicionais Boletim Focus, com novas projeções de inflação, crescimento e juro, e a balança comercial semanal. Também está na agenda o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Amanhã, o IBGE mostra o desempenho do varejo e os investidores também conhecem o índice de preços de importação nos EUA.

A quarta-feira reserva o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) americano e o desempenho do comércio varejista nos EUA.  Na quinta, saem a inflação ao consumidor americano e o comportamento da produção industrial em agosto. A semana acaba com o dado preliminar sobre a confiança do consumidor nos EUA.

Mercados na sexta-feira

O dia foi de marcada aversão ao risco e os rumores sobre a possibilidade de um calote da Grécia dominaram as mesas de operação. Esse assunto que se aliou às notícias de que a Alemanha já preparava medidas de contenção para proteger seu sistema financeiro no caso de um default grego.

Fora isso, um dos membros do conselho do Banco Central Europeu (BCE) deixou a instituição. Juergen Stark pediu para sair alegando “motivos pessoais”, segundo nota. No entanto, falava-se em divergência de visão sobre o programa de compra de títulos conduzido pela autoridade monetária.

O governo grego correu para desmentir os rumores, mas isso não melhorou em nada o tom negativo do dia. O resultado foi queda acentuada nas bolsas de valores, forte demanda por dólar e títulos americanos e indicações de menor liquidez no sistema interbancário europeus, algo evidenciado pelo mercado de Euribor.

Em Wall Street, o Dow Jones caiu 2,69%, para 10.992 pontos. A linha dos 11 mil pontos era respeitada desde o dia 22 de agosto. O S&P 500 cedeu 2,67%, para 1.154 pontos. Enquanto o Nasdaq devolveu 2,42%, a 2.467 pontos. Na semana, o Dow cedeu 2,2% e o S&P caiu 1,7%. Já o Nasdaq recuou 0,5%.

* Bovespa

O mercado local não escapou desse ambiente externo. O Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), operou no “vermelho” do início ao fim do pregão, pressionado pela queda em bloco de suas ações. O índice fechou os negócios com baixa de 3,20%, aos 55.778 pontos. O giro financeiro foi fraco, de apenas R$ 5,313 bilhões.

Depois de duas altas semanais, o índice perdeu 1,33% entre os dias 5 e 9. No mês, a bolsa brasileira acumula desvalorização de 1,27% e, no ano, cai 19,52%.

“A situação grega parece estar caminhando para um fim e a conta ainda vai sobrar para a Alemanha”, comentou o diretor da Máxima Corretora, José Costa Gonçalves.

Apesar do tom negativo do dia, Costa chamou atenção para o fraco volume negociado, o que minimiza o movimento. Casas estrangeiras como HSBC, Merrill Lynch e Goldman Sachs estiveram entre as principais vendedoras na Bovespa, nesta sessão.

* Câmbio

A “regra” permanece um pregão, uma alta no preço do dólar. Por aqui, a moeda americana completou o sétimo pregão seguido de apreciação, maior período de ganho desde janeiro de 2010. Na semana, o preço da moeda americana subiu 2,60%; em setembro, o avanço passa de 5%.

Na sexta-feira, o dólar comercial encerrou com elevação de 1,02%, a R$ 1,678 na venda. Na máxima, a moeda foi a R$ 1,685, ganho de 1,44%, se aproximado das máximas do ano.

Cerca de 40 dias atrás, o dólar rondava a linha de R$ 1,53. Nesse período, o preço da moeda subiu 9,17%. Agora em 2011, o dólar passa a acumular apreciação de 0,72%.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto subiu 1,40%, para R$ 1,680. O volume negociado no dia somou US$ 93 milhões, contra US$ 217 milhões no pregão anterior.

Também na BM&F, o dólar para outubro operava com aumento de 0,89%, a R$ 1,6855 antes do ajuste final, mas chegou a US$ 1,695.

O dólar subiu no mundo todo na sexta-feira. No câmbio externo, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, ganhou cerca de 1,2%, a 77,15 pontos. Na semana, o índice avançou 3,27%.

O euro foi alvo de forte venda. A moeda comum caiu mais de 1,5%, voltando à linha de US$ 1,36, menor preço desde fevereiro. Na semana, o euro caiu 3,80%.

Voltando o foco para o mercado local, toda essa piora de humor externo se alia a fatores locais que já vinham tirando atratividade do real. Primeiro, as medidas restritivas às posições vendidas tanto no mercado à vista quanto futuro. Algo que se somou a mudança de viés da política monetária após a redução da taxa Selic na semana passada pelo Banco Central (BC).

Outro sinal de que o real perde atratividade foi a virada de mão do estrangeiro no mercado futuro de dólar. A “aposta” no real passou a ser uma “aposta” no dólar. A posição em dólar futuro passou a ser comprada em quantidade não vista desde meados de 2010.

Ontem, o estoque em dólar futuro era comprado em US$ 483 milhões. A exposição total do estrangeiro, no entanto, ainda é pró-real, já que ele mantém um estoque vendido em cupom cambial (DDI – juro em dólar) de US$ 14 bilhões.

* Juros futuros

O mercado de juros futuros seguiu o roteiro padrão das últimas semanas, com humor pior na cena internacional e taxas apontando para baixo.

A degradação do ambiente externo é um dos pilares do cenário do Banco Central (BC), que reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom).

Resumindo bem a questão, o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, aponta que mesmo que se discorde do BC o fato é que ele vai reduzir os juros.

O sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, aponta que é muito arriscado ficar comprado em juros, pois a cada notícia negativa sobre a conjuntura externa as taxas caem.

E, apesar de o cenário indicar que o BC está na direção certa, Petrassi acredita que o corte de 0,50 ponto na Selic foi uma decisão arriscada tendo em vista a dinâmica de curto prazo da inflação, bem como o comportamento das expectativas.

Veja abaixo o comportamento dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) antes do ajuste final de posições:


Fonte:
Valor Econômico

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