Brasil pode multiplicar produção de alimentos

Publicado em 17/10/2011 09:15 229 exibições
Na Semana Mundial da Alimentação, presidente da CNA reafirma que o país tem potencial para multiplicar produção de alimentos de qualidade e barato, sem desmatar
Para marcar esta Semana Mundial da Alimentação, a FAO escolheu como tema “Preços de Alimentos: da crise para a estabilidade". A fome no mundo tem se agravado muito, principalmente nos pequenos países africanos. De acordo com a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) senadora Kátia Abreu, o papel do Brasil nesse cenário é fundamental para garantir comida de qualidade e barata, que abasteça o mercado brasileiro e gere excedentes para exportação.

Em seu último relatório sobre O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo - 2011, divulgado no dia 10 de outubro, a ONU destaca que os preços dos alimentos devem seguir em alta, afetando gravemente agricultores e consumidores dos países pobres. “Mesmo se atingirmos as metas do milênio até 2015, 600 milhões de pessoas ainda sofrerão por causa da fome. Assistir 600 milhões de pessoas passando fome regularmente é inadmissível. Toda a comunidade internacional deve agir com urgência e energia para banir a insegurança alimentar do planeta”, alertam os diretores de três agências da ONU que assinam o documento: Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

No mesmo documento, afirmam que “os governos devem garantir um ambiente regulatório transparente e confiável que promova o investimento privado e o aumento da produtividade agrícola”. É justamente o que defendem os produtores rurais brasileiros que trabalham no Congresso Nacional para atualizar o Código Florestal. “Os incrementos da produção nacional serão possíveis a partir de um quadro de segurança jurídica que garanta os investimentos necessários para o setor agropecuário e da adoção de tecnologias que aumentem a produtividade da agropecuária brasileira, sem a necessidade de abertura de novas áreas de produção”, explica a presidente da CNA.

Os produtores de alimentos querem manter os atuais 27,7% do território nacional, 851 milhões de hectares, com a produção de grãos, fibras e biocombustíveis e continuar preservando 61% do território com vegetação nativa.

O Brasil tem um modelo de agricultura que é exemplo para o mundo, produz e preserva, ao mesmo tempo. É um dos maiores exportadores de alimentos. Segundo a senadora Kátia Abreu, o País alcançou essa posição, graças a competência dos produtores rurais e ao uso das novas tecnologias. “A produtividade das nossas lavouras aumentou 151%, rendimento que passou de 1.258 quilos por hectare, na safra 1976/1977, para 3.156 quilos por hectares, em 2010/2011.”

Mas a presidente da CNA alerta que o Brasil terá sérias dificuldades de contribuir para a redução da fome no mundo, caso não seja aprovada a proposta de atualização do Código Florestal, em discussão no Senado. Os produtores rurais, que hoje dispõem de 236 milhões de hectares para a atividade agropecuária, ou apenas 27,7% do País, terão de abrir mão de mais 80 milhões de hectares. “Como o Brasil vai ajudar a reduzir a fome com essa legislação? E os 16 milhões de brasileiros que ainda vivem abaixo da linha de pobreza? Será que podemos aceitar isso passivamente?”, questiona a senadora Kátia Abreu.

"A ONU estima que sejam necessários 120 milhões de hectares a mais para o mundo produzir comida, e assim alcançar a meta de redução da fome, e o Brasil precisa fazer a sua parte", conclui a presidente da CNA.

Fonte:
CNA

0 comentário