Soja perde quase 50 pts em Chicago com pressão do nervosismo no financeiro

Publicado em 11/05/2012 13:49 e atualizado em 11/05/2012 16:03 5543 exibições
Nesta sexta-feira, o nervosismo do mercado financeiro está sendo refletindo severamente pelo mercado futuro da soja na Bolsa de Chicago e pelas demais commodities agrícolas. Por volta das 13h40 (horário de Brasília), os futuros de oleaginosa registravam quase 40 pontos de baixa nos principais vencimentos. 

O mercado financeiro foi surpreendido por uma informação de um prejuízo de US$ 2 bilhões do banco JPMorgan, resultado de uma estratégia errada de hedging, nas últimas seis semanas. Atualmente, o JP Morgan é o segundo maior banco norte-americano e considerado o mais conservador dos Estados Unidos, e o temor da macroeconomia é de que depois desse anúncio, mais instituições financeiras apresentem perdas dessa magnitude.

Porém, apesar do reflexo imediato bastante negativo do mercado como um todo, trata-se de um caso pontual que não deverá trazer um contágio mais grave para as commodities. "O sistema bancário continua solvente, e as perdas do JP MOrgan foram ganhos de outras instituições. Mas, em todo caso, se acende uma luz amarela na questão dos derivativos", disse o economista Roberto Troster. 

Além disso, a situação se agrava na Europa com os países passando por uma crise além de econômica, política também, com a troca de governantes em importantes economias da Zona do Euro. As notícias mais preocupantes vêm da Grécia, onde um consenso ainda parece distante e com líderes que já prometem medidas menos austeras - o que poderia ameaçar o pacto de austeridade fiscal firmado no início do ano - e da França. O mercado teme que o novo presidente francês, François Hollande, poderia entrar em atrito com a chanceler alemã Angela Merkel, limitando o bom desempenho da procura por medidas de contenção da crise no continente. 

Tantas incertezas e expectativas preocupantes fazem com que os investidores mantenham-se mais distantes dos risco, liquidando suas posições em ativos mais arriscados, como as commodities, estimulando movimentos de realizações de lucros. Essa forte baixa no mercado da soja chega, justamente, em um quadro fundamental bastante positivo. Ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu relatório de oferta e demanda confirmando estoques menores e bastante ajustados para a oleaginosa, além de uma demanda firme e aquecida.

São esses fundamentos positivos que devem dar sustentação aos preços mais adiante, principalmente no médio prazo. "A questão europeia e de perdas no exterior serão absorvidas e não serão um problema. E a médio prazo a demanda por commodities agrícolas irá crescer mais que a oferta e isso mantém a tendência de alta para os preços ", disse Troster. 
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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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