Oferta escassa e clima adverso nos EUA levam soja a fechar com mais de 40 pts de alta

Publicado em 19/06/2012 17:08 2414 exibições
Nesta terça-feira (19), a soja fechou o dia com firmes e expressivas altas na Bolsa de Chicago. Ao longo do dia, os preços chegaram a subir mais de 60 pontos nos principais vencimentos, porém, encerraram os negócios com ganhos de pouco menos de 50 pontos. As principais bases de suporte do mercado foram o clima adverso nos Estados Unidos e a já conhecida escassa oferta mundial da commodity. 

O clima nas principais regiões produtoras de grãos dos Estados Unidos está muito quente e seco. As condições não são favoráveis para as lavouras e já criam o temor de uma redução da produtividade norte-americana, principalmente sobre as plantações de soja. Na última semana, menos de 5% das chuvas "normais" caíram em partes dos estados de Iowa e Illinois, importantes estados produtores nos EUA. 

Confirmando essa preocupação, o último relatório de acompanhamento de safra divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou um recuo do índice de lavouras em boas ou excelentes condições tanto para a oleaginosa quanto para o milho. 

Segundo o  boletim do departamento norte-americano,  entre as plantações de milho, 63% estão em condições boas ou excelentes, contra 66% da semana passada e 70% do mesmo período no ano passado. No caso da soja, os números recuaram de 60% das lavouras em bom estado para apenas 56%. Nesse mesmo período em 2011, o índice era de 68%. 

Como explicou o analista de mercado Liones Severo, a situação nos Estados Unidos está bastante preocupante e foi o principal fator de alta para os preços nesta segunda-feira. "Já há uma escassez de soja no mundo e o mercado está reagindo. Não tem mais soja no Brasil, há muito pouco na Argentina e toda a demanda está pressionando os Estados Unidos". Diante desse cenário bastante positivo para os preços, a tendência é de estabilidade daqui em diante. "O mercado deverá ficar, em média, em US$ 14,50", completou Severo. 

O analista diz ainda que a situação de oferta é preocupante. Mesmo com uma melhora do clima nos Estados Unidos resultando em uma safra cheia, ainda assim os estoques continuarão baixos. E a situação se agrava muito se o clima permanecer quente e seco como está, o que poderá gerar uma quebra da safra e um problema de abastecimento mundial. 

"Caso volte a chover nos Estados Unidos nos próximos dias, pode haver um impacto nos preços com uma realização de lucros, principalmente por parte dos fundos. Mas depois, voltam a subir por conta dessa estabilidade que os preços estão alcançando", disse Severo. 

Mercado Interno - E acompanhando as fortes altas no mercado externo, os preços da soja no mercado doméstico seguem batendo recordes. Nos porto de Rio Grande, o preço da soja bateu os R$ 68,50 por saca no disponível e R$ 62,00 para a safra nova - 2012/13. 

Farelo de Soja - Outro fator que impulsionou os preços da soja em grão na Bolsa de Chicago foi a a escassez também de farelo no mercado mundial. Nesta terça-feira, a tonelada chegou a ser negociada a R$ 1050,00, registrando preços recordes. 

Segundo Liones, essa falta de farelo também é bastante preocupante, uma vez que trata-se de uma das proteínas mais importantes do mundo. E com essa falta ao redor de soja ao redor do mundo, assim como os preços do grãos, as cotações do derivado também encontram estímulos para subir.

Mercado Financeiro - Severo confirmou ainda que o mercado futuro de grãos há tempos está descolado do financeiro. "Se ainda estivesse muito ligado, não teria subido como subiu nesta terça-feira (19)", pois a situação ainda é de muita incerteza sobre o futuro da economia da Zona do Euro. 

Para o analista, a crise na Europa não influencia diretamente pois a principal demanda pelos grãos vem da Ásia e não mais da Europa, como antigamente. Os países asiáticos, como explicou, continuam exibindo demandas aquecidas e isso também estimula muito o mercado. A crise europeia influencia diretamente mercados como o de café, açúcar e suco de laranja, mas soja, milho e trigo, não, de acordo com Liones Severo. 

Veja como ficaram as cotações no fechamento desta terça-feira:



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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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