Safra 12/13: Brasil deve produzir mais soja e menos milho

Publicado em 20/07/2012 14:13 e atualizado em 20/07/2012 15:16 1949 exibições
Levantamento de intenção de plantio da Safras indica aumento na área de soja e arroz. Milho, algodão e feijão devem perder espaço
SOJA: SAFRAS INDICA AUMENTO DE 8,4% NA ÁREA EM 2012/13

A área a ser plantada com soja na temporada 2012/13 deverá crescer 8,4% na comparação com 2011/12, ocupando 27,218 milhões de hectares. A projeção faz parte do levantamento de intenção de plantio, divulgado por SAFRAS & Mercado. Se o aumento for confirmado e contado com clima regular, a produção brasileira na próxima temporada deverá bater recorde, somando 82,295 milhões de toneladas, com crescimento de 24,1% sobre o total colhido em 2011/12, de 66,331 milhões de toneladas.
O analista de SAFRAS, Flávio França Júnior, enumera uma série de fatores que sinalizam este forte aumento no plantio da soja. "A média de lucratividade bruta da oleaginosa é novamente positiva. Há ainda o aumento na disponibilidade de crédito oficial e privado. Apesar das perdas de produção, os altos preços vêm compensando parcialmente esse gargalo", explica.
Na média de 2012 x 2011, os ganhos nos preços médios estão em torno de 25%. "Mas os preços de julho são recordes e estão 70/80% acima de julho de 2011, impulsionados pela combinação de Chicago em nível recorde, prêmios elevados e forte taxa de câmbio", acrescenta.
Segundo o analista, o cenário de preços firme em Chicago e no mercado interno também deverá se estender a 2013, inclusive com mais de 35% da safra nova brasileira já comprometida. "Existe ainda uma positiva sinalização da demanda. Apesar de crise financeira e econômica, o consumo mundial segue subindo", avalia, adicionando ainda o cenário de bom investimento nas lavouras, os preços mais competitivos na comparação com o milho, arroz e algodão, e a rentabilidade positiva com outros ativos financeiros como pontos de estímulo para o aumento de área.
MILHO: PLANTIO DEVE RECUAR 14,2% NA SAFRA DE VERÃO 2012/13
O milho deverá perder espaço na safra de verão 2012/13, na região Centro-Sul. Levantamento de intenção de plantio, divulgado por SAFRAS & Mercado, aponta uma redução de 14,2% na área a ser plantada, que ocuparia 5,083 milhões de hectares, contra 5,925 milhões cultivados em 2012/13. Contando com condições climáticas normais - ao contrário do que ocorreu na temporada passada -, a produção da primeira safra poderia ficar em 28,113 milhões de toneladas, recuando na comparação com 28,874 milhões colhidos em 2011/12.
Safras trabalha com uma queda de 10% na área a ser plantada na segunda safra, ou safrinha, que totalizaria 6,269 milhões de hectares, contra 6,963 milhões de 2011/12. A produção da safrinha está estimada em 33,975 milhões de toneladas, abaixo das 37,714 milhões previstas para a temporada anterior.
A área total de milho na região Centro-Sul está estimada em 11,352 milhões de hectares, com recuo de 11,9%. A produção está inicialmente estimada em 62,088 milhões de toneladas. As regiões Norte e Nordeste deverão cultivar 1,855 milhão de hectares e colher 5,036 milhões de toneladas. Com isso, a área total no Brasil somaria 13,207 milhões de hectares, caindo 10,9% sobre o ano anterior. O país deverá produzir 68,025 milhões de toneladas em 2012/13, contra 72,437 milhões colhidos em 2011/12.
ALGODÃO: ÁREA PLANTADA EM 2012/13 DEVE RECUAR 20,3% 
Os preços baixos praticados no mercado doméstico de algodão pelo segundo ano consecutivo, em contraste com a alta ocorrida na soja e no milho, deverão reduzir a área cultivada com algodão na safra brasileira 2012/13 em 20,3%, totalizando 1,107 milhão de hectares. A projeção faz parte do levantamento de intenção de plantio, divulgado por SAFRAS & Mercado.
No Mato Grosso, maior produtor nacional a retração esperada é de 19,7%. Os produtores baianos devem reduzir a área em 22,9%. Em Goiás a retração estimada é de 15,8%. Com esta área e sem ocorrência de quebras por eventuais intempéries climáticas, pode-se estimar uma produção de 1,670 milhão de toneladas (pluma), o que corresponde a uma retração de 9,8% em relação à produção da safra 2011/12.
"O recuo só não é maior porque os cotonicultores, com altos investimentos em tecnologias destinadas ao cultivo de algodão, seguirão plantando, porém, destinando uma maior parte de suas terras às outras culturas com possibilidade de rentabilidade maior", explica o analista de SAFRAS, Elcio Bento.
No estado do Mato Grosso, por exemplo, considerando-se os preços atuais, a produtividade da safra anterior e o custo de produção atual, enquanto soja e milho têm rentabilidade positiva de 43,4% e de 20%, respectivamente, para o algodão está negativa em 10,3%. "Estes números justificam a posição dos cotonicultores nacionais".
Segundo o analista, outro indicador que corrobora para a perspectiva de redução da área plantada é o menor registro de negócios futuros na Bolsa Brasileira de Mercadoria (BBM). Até a quinta-feira (19), os produtores de algodão haviam registrado 199.686 toneladas da safra 2012/13. No mesmo período do ano passado, os registram eram de 408.554 toneladas da safra 2011/12 (+104%). "Este menor volume de registros futuros é mais um prenúncio da redução da área plantada na safra 2012/13", completa.
 FEIJÃO: ÁREA DA 1a SAFRA DEVE CAIR 8,82% EM 2012/12
A área plantada com feijão deverá cair 8,82% na primeira safra da temporada 2012/13, ocupando 1,139 milhão de hectares. Com a aposta de um aumento na produtividade, a produção deverá totalizar 1,220 milhão de toneladas, com queda de 1,55% sobre o ano anterior. As projeções fazem parte do levantamento de intenção de plantio de SAFRAS & Mercado.
As perspectivas são de uma redução generalizada na área cultivada de feijão no Brasil na safra 2012/2013, contudo uma boa parcela desse movimento de queda tende a ser compensada pelo aumento da produtividade. "Como a safra passada foi marcada por problemas climáticos, tanto no Sul quanto no Nordeste, a produção nacional foi drasticamente afetada, entretanto para a safra seguinte nos detemos a utilizar uma média de produtividade dos últimos anos para chegar a tal resultado estimado de produção. Com isso, o aumento estimado da produção no nordeste vai compensar grande parte da diminuição de produção esperada para a região centro-sul do país", explica o analista de SAFRAS, Renan Magro.
De maneira geral, o valor da saca de feijão ainda é remunerador para os produtores, porém os altos preços do milho e, especialmente, da soja servirão como barreiras importantes na escolha de produção dos agricultores brasileiros.
"Grande parte do feijão produzido nacionalmente é proveniente de pequenos produtores e estes dificilmente trocam para outras culturas devido aos altos custos de transição. Assim, normalmente, quando o valor do feijão não está muito vantajoso os grandes produtores acabaram substituindo, ao menos, parte da área disponível para o plantio", conclui.
 ARROZ: ÁREA CULTIVADA EM 2012/13 DEVERÁ TER LIGEIRA ELEVAÇÃO
A expectativa para a safra de arroz 2012/13 é que haja ligeiro aumento na área plantada. Levantamento de intenção de plantio de SAFRAS & Mercado aponta incremento de 1,3%, passando de 2,451 milhões para 2,482 milhões de hectares. A produção subiria 0,6%, totalizando 11,625 milhões de toneladas.
"O aumento no plantio se deve a alguns fatores que estão influenciando a tomada de decisão dos produtores, que em 2011/12 tiveram que recuar diante dos preços baixos e pelo déficit hídrico de algumas regiões do país", explica o analista de SAFRAS & Mercado, Eduardo Aquiles.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a área cultivada com arroz irrigado deverá ser praticamente a mesma, apresentando pequena elevação, motivada pelos bons preços pagos em 2012 e pela redução dos estoques. Já, no Paraná, que cultiva tanto o irrigado como o sequeiro, e nos estados produtores de arroz de terras altas, o bom momento das cotações de culturas como algodão, soja e milho tenderá a tomar áreas onde normalmente o arroz é cultivado.
"Portanto, a projeção de ganho de área deverá ser pequena, não deixando de levar em consideração que o cenário poderá mudar se o clima ajudar, pois este é o principal fator que poderá, em certo momento, impedir o aumento da área plantada", acrescenta o analista.
Por outro lado, completa Aquiles, a desvalorização do real, as questões políticas de incentivo ao setor, como a prorrogação das dívidas para os arrozeiros e as doações do governo federal de arroz de safras passadas, poderão dar maior incentivo ao acréscimo de área plantada. "Sem falar ainda do que está em fase de concretização, que seria o uso de mecanismos para auxílio à comercialização como PEP, Pepro e leilão de Opções, e o aumento do Pis/Cofins para a importação de arroz do MERCOSUL, a ser aprovado, o que aumentaria a competitividade do mercado brasileiro frente os países membros do bloco".
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Fonte:
Agência Safras & Mercado

1 comentário

  • Flavio Schirmann Formigueiro - RS

    No que se refere ao ARROZ no RS a projeção está totalmente ERRADA. Como plantar a mesma área com as barragens na cota ZERO? O déficit hídrico se prolonga desde o final do ano de 2011 e não se tem previsão de chuvas acima da média histórica durante os próximos 3 meses...Algém está querendo enganar? A quém serve uma projeção desta? Ao produtor não serve! Ao consumidor também não serve!

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