CBOT: Fundos seguem liquidando suas posições e soja tem mais um dia de forte queda

Publicado em 01/10/2012 17:00 e atualizado em 02/10/2012 08:50 1606 exibições
A soja fechou esta segunda-feira (1) com baixas de mais de 30 pontos nos principais vencimentos negociados na Bolsa de Chicago. O contrato novembro/12 terminou o dia perdendo 40,75 pontos, cotado a US$ 15,60 por bushel e o maio/2013, referência para a safra brasileira, a US$ 14,88, com queda de 33 pontos. 

A baixa registrada nesta sessão, segundo analistas, é reflexo de mais um movimento de correção técnica, em que os fundos continuam liquidando suas posições compradas. De acordo com Vinícius Ito, analista do Banco e Corretora Jeffrey's, nesta segunda-feira os investidores venderam suas posições na soja (no spread contra o milho) em uma tentativa de ajustar o mercado à nova realidade de estoques nos EUA. 

Segundo o último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado na sexta-feira (28), os estoques trimestrais de milho vieram abaixo das expectativas enquanto os de soja foram reportados ligeiramente acima do esperado. Por conta disso, a soja recuou 2,5% e o milho permaneceu inalterado, com seus principais vencimentos próximos da estabilidade. 

Sendo assim, confirma-se o caráter técnico da expressiva baixa registrada nesta segunda-feira. Entretanto, Ito já projeta uma reversão do atual cenário de baixa dos preços, que vem sendo visto com nos últimos dias. Isso porque os fundamentos permanecem positivos, baseados em uma demanda ainda forte e uma oferta restrista, onde o analista já sinaliza uma falta de soja a partir de março do ano que vem nos Estados Unidos. 

Além disso, como explicou o analista, quando a colheita é concluída em 50% da área total, a pressão de oferta tradicionalmente é reduzida, aliviando o quadro para as cotações. Porém, o mercado ainda sente essa natural pressão sazonal nos preços. Paralelamente, o início do plantio da safra da América do Sul acaba contribuindo para este cenário negativo e também pesa sobre a oleaginosa. 

Ao contrário da soja, como foi explicado, o milho fechou este pregão próximo da estabilidade. As cotações não exibiram movimentos muito expressivos, chegaram até mesmo a  trabalhar em campo positivo, mas fecharam em território misto, sentindo a influência negativa da soja. Porém, os últimos dados divulgado pelo USDA sobre os estoques trimestrais norte-americanas ainda podem oferecer alguma sustentação ao mercado. 

Por Pedro Dejneka: Soja não consegue pegar tração nos ganhos de sexta nesta segunda-feira (1)

A pressão de hoje surpreende o mercado, mas não é inexplicável.
 
Alguns fatores contribuem:
 
·  Muitos participantes se posicionaram comprados na soja e vendidos no milho e trigo semana passada pré-relatório, na expectativa de um relatório neutro ou altista para a oleaginosa e baixista para o milho.  O oposto aconteceu e o que vemos hoje é forte realização destes “spreads” – com participantes comprando milho e vendendo soja.

·  Contínuos relatos de melhorias sobre o esperado nos rendimentos da safra de soja atual nos EUA.  Hoje, pelo menos 90% do mercado aguarda um aumento nos dados de produtividade da oleaginosa no relatório do próximo dia 11 do USDA.

·  Contínua pressão sazonal da colheita EUA, estimada em 38% completa.

·  Expectativa sobre o início nesta semana da rolagem de posições do contrato de Novembro para Março por parte de grandes players to mercado especulativo.

 Ainda assim, repito que acredito que a mentalidade do mercado mudou em relação ás últimas semanas... A mentalidade agora é muito maior de “Compra nas baixas” contra a mentalidade que dominou as últimas duas semanas de Setembro de “venda nas tentativas de recuperação”.
 
O USDA precisará relatar uma enorme melhora nos dados de produtividade da oleaginosa para que tenha um efeito real no mercado físico.

A realidade é que qualquer aumento nos dados de produtividade menor que 5% será imediatamente “absorvido” pela demanda.

Ou seja, o relatório de Setembro do USDA relatou expectativa de um rendimento de 35,3 bushels por acre (2,37 tons por hectare). Com uma área colhida estimada em 74,6 milhões de acres (30,2 milhões de hectares), um aumento de 5% na produtividade em relação ao último relatório, significaria um aumento de praticamente 132 milhões de bushels (3,6 milhões de toneladas).  Um aumento até significativo se analisado isoladamente – mas nada comparado á quebra de 16 milhões de toneladas frente á expectativa de safra do início deste ano da safra soja EUA (estimativa era 87 milhões de toneladas no início da safra, pré-seca).
 
A inspeção de exportações desta manhã veio muito acima do esperado pelo mercado (quase o triplo, expectativas eram de 400 mil toneladas e foram registradas a 1,134 milhões de toneladas, COM A CHINA RESPONSÁVEL POR 730 MIL TONELADAS).
 
Ou seja, como já venho falando, esta baixa recente do mercado está atraindo demanda, exatamente o oposto do que precisa ser feito, o racionamento de demanda!

Acreditamos que possamos ver um bom movimento de recuperação assim que a colheita de soja estiver mais que 50% completa e a pressão da colheita no mercado físico se diluir.

A partir deste ponto, o mercado terá duas tarefas – elevar cotações para atrair venda dos produtores e também racionar demanda para exportação...
NO MOMENTO ATUAL, o risco de para cima é muito maior que o risco para baixo...
 
Qual é o risco para este prognóstico?
Será preciso um relato de produtividade bem maior que o esperado pelo USDA ou uma possível “derretida” macroeconômica global para que os preços da oleaginosa tenham uma baixa sustendada durante as próximas semanas...
 
Para o médio prazo (próximos dois meses), ainda vemos soja retomando tendência de alta, assim como milho e trigo.

Lembrando que a relação Soja/Milho começa a chamar muito mais atenção, pois vários produtores compram seus insumos e sementes aqui nos EUA logo quando vendem suas colheitas... ambas culturas precisam atrair área de plantio nos EUA, o que pode muito bem significar Milho acima de $8 e Soja acima de $17 nas próximas semanas/meses.

Veja como ficaram as cotações no fechamento desta segunda-feira:



Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Desta vez ,quem esta dando as cartas são os produtores.Jávenderam o suficiente na alta,os fundos compraram,e agora liquidam na baixa,nós estaremos esperando os 20U$ por buchell,que certamente nos pagarão quando tivermos necessidade de vender o restante,lá pela metade do ano .Até lá, as mentiras do mercado já se esclareceram,o clima não sera perfeito como dizem,a safra sulamericana não sera a mega....

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